Bancas de Franca faturam pespontando para o Japão


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SERVIÇO GARANTIDO - Noêmia Araújo, 62, trabalha para empresa japonesa há 22 anos: nunca faltou serviço
SERVIÇO GARANTIDO - Noêmia Araújo, 62, trabalha para empresa japonesa há 22 anos: nunca faltou serviço
Enquanto a maioria dos donos de bancas de calçados reclama da oscilação na produção e que o trabalho é limitado a dez meses no ano, há um grupo de “banqueiros” que não tem do que reclamar. Trabalham sem folga, de janeiro a dezembro, e quando querem ou precisam aproveitam os feriados e sábados para aumentar a renda. Como? Fabricam calçados de segurança. Noêmia Souza Araújo, 62, integra a lista. Em 1986, ela deixou de trabalhar para indústrias de Franca e passou a produzir para a Atlântica Brasil, empresa com sede em Guarulhos que fabrica exclusivamente para o Japão. No início, a produção era de 50 pares por dia. O trabalho deu tão certo que hoje, 22 anos depois, a pequena banca se transformou em uma microempresa com produção diária de 600 pares e 58 funcionários. Noêmia tinha uma banca, quando começou, onde pespontava sapatos para a extinta Calçados Mitter. Antes já havia passado por empresas como Samello, Paragon e Medieval. Um dia, sem qualquer aviso, um japonês bateu em sua porta, talvez por indicação de alguém - ela não sabe precisar -, e lhe ofereceu o trabalho. “Ele chegou, me convidou para fazer o teste e eu aceitei. Nem fui até Guarulhos para ver como funcionava. Eles traziam o serviço, eu fazia e recebia. Deu certo. Toquei o barco”, disse Noêmia. Não demorou muito para ela notar a diferença entre prestar serviços para empresas de Franca e para a japonesa. Não faltava produção e o pagamento era feito rigorosamente em dia. Além disso, o serviço era entregue na porta, com frete pago pela Atlântica. Resultado: de 86 para cá, praticamente não tirou férias. Noêmia garante que virou noites trabalhando, já que a entrega dos calçados tem de ser feita na data programada. Não são aceitas desculpas. A pequena empresária não revela o valor que recebe por par de sapato produzido, mas disse que é difícil convencer os patrões japoneses a aumentar o salário fora do período de dissídio. “O preço do par é menor do que se paga em Franca. O bom é que não falta produção. Quando queremos ganhar mais, eles mandam produzir mais, ou seja, tirar a diferença na produção”. Noêmia não é a única em Franca a trabalhar com sapatos de segurança que calçam os japoneses. Segundo ela, outros quatro banqueiros da cidade passaram a fabricar para a Atlântica. Todos evoluíram. O Comércio tentou falar com outros dois banqueiros que trabalham para a Atlântica. Em um dos números ninguém atendeu e, no outro, a secretária informou que o proprietário não estava e que havia dado folga aos funcionários.

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