Japoneses exigem produção e qualidade


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Quando começou a pespontar os sapatos de segurança, os cortes que chegavam à banca de Noêmia vinham da empresa de Guarulhos. Hoje, os materiais são cortados em uma empresa de Penápolis, distante a 360 quilômetros de Franca. Contêineres pequenos comportando todas as peças para montar o cabedal (parte de cima do calçado) são transportados diariamente em caminhões. A Atlântica Brasil é responsável pelo frete. Os cortes - couro e forros -vêm separados por numeração. Na produção, o couro é chanfrado e, posteriormente, segue para as mesas e máquinas, onde os funcionários colam e costuram, respectivamente. Antes de voltar para as caixas, são revisados um a um. Segundo Noêmia, a empresa é extremamente rigorosa com a qualidade dos produtos. Depois de pronto, o cabedal em formato de bota é embalado no mesmo contêiner e segue de volta para Penápolis, onde é montado e exportado para o Japão. Todos os dias são transportados, só da banca de Noêmia, no mínimo, 600 pares. “Na produção circulam diariamente 2,4 mil pares. No final da tarde, 600 devem estar prontos”, disse. Noêmia conta que os responsáveis pelo serviço quase não vêm a Franca. Quando decidem vir, chegam de surpresa. A empresa, segundo ela, exige exclusividade, ou seja, o banqueiro não pode fabricar outra marca. “Eles não gostam”, diz ela mostrando uma placa da Atlântica Brasil fixada na parede. Ela explica que a empresa também fornece os materiais - linha e cola - para a montagem do sapato. Os materiais são pagos, depois, pelo “banqueiro”.

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