Ao andar pelo Jardim Riviera, Brasilândia e Palma, a impressão que se tem é de estar vendo clones. Nas praças, casas e escolas não é difícil encontrar irmãos gêmeos. Basta um pouco mais de atenção ou uma bate-papo com os moradores para conhecer os nomes das "figurinhas repetidas" que vivem na região leste de Franca. Lucas e Mateus, 3, Lucas e Luan, 11, Fernanda e Vitória, 11, Kátia e Karla, 13, e Clayton e Cleber, 12, são alguns deles. Não existem números oficiais sobre os irmãos. A reportagem chegou a consultar o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e o Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), mas não há levantamentos relacionados aos gêmeos. Independente das estatísticas, a sensação é de viver numa região lotada deles.
Durante as entrevistas, foi possível elencar 16 duplas. Em três escolas estaduais consultadas, há mais de um par deles em cada uma. Só na Escola "Adelina Pasquino Cassis", no Jardim do Éden, são cinco duplas. Thauane e Tatiane Garcia Costa, de 12 anos, são uma delas. Elas moram no Jardim Brasilândia II. São idênticas. Os olhos, o sorriso, a estrutura física, o cabelo, os traços e até a risada são iguais. Thauane é um pouco mais alta que Tatiane, mas nada suficiente para diferenciá-las. Ela também tem uma pinta no ombro direito que a irmã não tem. "Gosto de ter irmã gêmea. Tenho muitas amigas, mas se não as tivesse, nunca estaria sozinha, porque tenho minha irmã", disse Thauane, que estuda na mesma classe que Tatiane. As duas são comumente confundidas pelas professoras e colegas de escola.
Os gêmeos Clayton e Cleber Alves Lázaro, 12, já se habituaram a ser confundidos até pela mãe deles. A única diferença, que a ajuda a saber quem é quem, é uma cicatriz no rosto de Clayton, de pontos dados quando caiu de bicicleta. "A parte boa de ter um irmão igual é poder fazer arte e colocar a culpa no outro", disse Cleber. "Mas, às vezes, a pessoa está com raiva de um e desconta no outro", completou Clayton, que é de uma família de sete irmãos.
Ainda na zona leste, outra residência é endereço de irmãs gêmeas.
Fernanda e Vitórya Alves Borges, 11, moram no Jardim Riviera. A família está acostumada com irmãos que nasceram no mesmo dia. A mãe delas tem um irmão gêmeo e as garotas e os pais conhecem pelo menos sete pares de gêmeos no bairro em que moram. "Tem muitos. É algo que chama atenção mesmo", disse o pai delas, o comerciante Nivaldo Borges, 47.
Vizinha deles, a dona de casa Janete Barbosa, 51, mora no Jardim Riviera há 27 anos, e concorda com Nivaldo. Ela também acha que o bairro concentra muitas duplas de gêmeos. "Conheço uns sete (pares). Chama a atenção mesmo e está sempre nascendo mais", disse ela.
POR QUÊ?
Para a geneticista e professora da Unifran (Universidade de Franca), Denise Crispim Tavares, 41, a concentração na zona leste de irmãos que nasceram no mesmo dia é mera coincidência. "Não existe nada na literatura que fale que haja influência de fatores externos no nascimento de gêmeos", disse ela. Outros especialistas disseram que o registro de migrantes da mesma família para a região poderia justificar o alto índice de gêmeos, já que a carga genética pode influenciar na gestação de mais de um bebê, mas não é o caso da cidade.
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A Santa Casa de Franca, que atende as 22 cidades do DRS-8 (Departamento Regional de Saúde), realiza, em média, dois partos de gêmeos por mês. Até outubro deste ano, nasceram no hospital 24 duplas, sendo 16 meninas e 35 meninos, além de trigêmeas. Em 2007, foram 36 partos gemelares. Por mês, a instituição realiza entre 320 e 350 partos.
As trigêmeas Thainá, Thaune e Thaila nasceram no dia 23 de maio, de parto normal. São filhas do casal Márcio Henrique Mendes, 28, e Gilda Aparecida Bueno, 25. A família, como não poderia deixar de ser, mora na região leste, no Jardim Paulistano.
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