Vida sexual ativa faz cinquentões serem alvo de Aids


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PREVENÇÃO - Mulher e criança são orientadas por equipes do Centro de Prevenção, durante a campanha realizada em 2007
PREVENÇÃO - Mulher e criança são orientadas por equipes do Centro de Prevenção, durante a campanha realizada em 2007
Um temor comum entre os jovens vem preocupando também quem já chegou aos 50. Com o aumento da atividade sexual, é cada vez maior o número de homens e mulheres nesta faixa etária que descobrem ter Aids. No Estado de São Paulo, nos anos 90, eles eram 6% do total de novos casos; em 2007, este índice subiu para 15%. O quadro não é diferente em Franca. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, dos 1.033 pacientes que estão em tratamento atualmente, 167 (16%) são cinqüentões. Para conscientizá-los sobre a importância da prevenção, a Prefeitura participa da campanha nacional de combate à doença, que este ano - não por coincidência - tem os mais velhos como o público-alvo. No ano passado, dos 77 novos pacientes HIV positivos diagnosticados em Franca, 13 (ou 16,8%) tinham a partir de 50 anos. É o mesmo que dizer que houve, em média, mais de um novo caso por mês. A explicação para o grande número de ocorrências está no fato de que esta faixa etária leva, hoje em dia, uma vida sexual muito mais ativa, somada à falta de uso de preservativo. “O que nós percebemos é que se trata de um fator cultural. Muitas pessoas não sabem usar a camisinha e têm vergonha de perguntar”, disse a gerente do Centro de Saúde I, Soraya Abrão. Segundo ela, a perda da ereção também é usada para justificar a prática de sexo sem proteção. Para diminuir essa resistência, estão sendo distribuídos na cidade panfletos da campanha “Sexo não tem idade. Proteção também não”, do Ministério da Saúde. Ilustrado com a foto de atores “maduros” vestindo a camisa do “Clube dos Enta”, o texto - descontraído e de fácil leitura - busca desmistificar o uso do preservativo. Através dele, os mais velhos são convidados a experimentar não apenas a camisinha, mas alguns “apetrechos” que podem tornar o sexo mais prazeroso e seguro, como gel lubrificante, preservativos de diferentes modelos e até a camisinha feminina. “É um esforço dos órgãos de saúde para quebrar os preconceitos, que existem principalmente entre os mais velhos”, disse Soraya. ASSUNTO NATURAL De acordo com gerente do Centro de Saúde, dos pacientes HIV positivos com mais de 50 anos atendidos no Centro de Saúde, pouco mais da metade são casados. “Este é um fator muito equilibrado atualmente. Há muitos solteiros e divorciados nesta população”, disse. Ao se descobrirem portadores da doença, também mais ou menos 50% optam por não contar à família. O objetivo dos profissionais que atendem esses pacientes é fazer com que eles passem a tratar o assunto de maneira mais aberta. “A gente tem que trabalhar pela inclusão dos pacientes com a sociedade, quebrar um pouco esse tabu, esse preconceito”.

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