Os setores industrial e agropecuário não esquecerão tão facilmente o último mês de outubro em Franca. Desde 1999, esse foi o que apresentou o pior resultado na geração de empregos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Com o número de demissões superior ao de contratações, o saldo total na criação de vagas formais na cidade ficou negativo.
A agropecuária foi a maior vilã do mês, ao fazer 648 desligamentos e apenas 81 contratações. Em segundo lugar, apareceu a indústria de transformação, com um saldo negativo de 178 vagas. Os serviços de utilidade pública e a própria administração pública também demitiram mais que admitiram.
Para o gerente regional do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil Leonard, a sazonalidade na indústria calçadista e na agricultura, aliada ao medo da crise americana, são os principais responsáveis pelo desempenho pífio de outubro. Pelo dados da gerência regional, somente no mês passado 2.701 pessoas entraram com pedidos de seguro desemprego. Em setembro, foram 1.019. “A partir de outubro, o movimento de pedidos de seguro- desemprego sempre aumenta, mas parece que neste ano tem sido maior. Os empresários têm sentido os efeitos das crises e demitido funcionários”.
A explicação do gerente regional do MT é parecida com a justificativa do presidente do Sindicato Rural de Franca, Geraldo Cintra Diniz. Ele disse que o fim da safra do café é o principal responsável pelas demissões do setor, mas lembra da má fase vivida pelos produtores rurais. “O pessoal do campo tem cortado gastos.
Tem muita fazenda mandando funcionários embora. O preço do leite, por exemplo, está em baixa e as despesas altas”. Nos últimos dez anos, a agropecuária só apresentou saldo positivo de contratações em 2003 e no ano passado, nos demais sempre fechou no vermelho. “O fim da safra sempre faz o saldo ficar negativo. Neste ano, como a safra foi maior que a de 2007, tivemos mais trabalhadores desempregados”, disse Diniz.
De outubro de 1999 (primeiro ano do Caged a apresentar dados mês a mês) a outubro de 2007, a média de postos de trabalho criados no mês superava os mil. Desde então, este ano foi o primeiro a apresentar decréscimo (o saldo negativo com os dados de todas as profissões é de 254 vagas). Neste mesmo período, outubro de 2005 teve o melhor resultado, com a geração de 1535 vagas.
No setor industrial, o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de calçados de Franca), José Brigagão do Couto, culpou a queda das exportações e lembrou que o setor de transformação não responde apenas pela cadeia coureiro-calçadista, embora ela seja a maior representante. “As exportações de calçados caíram 14% e continua em queda, o que contribui para o aumento do desemprego.
Acredito que os reflexos da crise, só perceberemos em 2009”. Somente no mês passado, a indústria calçadista teve saldo negativo de 208 vagas.
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