Depois de oito meses numa fábrica de calçados de Franca, a sapateira Deiliane do Livramento Soares, 35, sofreu, no mês passado, a sua terceira demissão consecutiva no setor. O curioso é que todas ocorreram próximas ao fim do ano, quando as indústria começam a cortar pessoal em razão do fim dos pedidos. A última demissão da trabalhadora foi motivada pelo fechamento da fábrica em que era registrada.
Deiliane disse que encara com naturalidade a perda do emprego no setor, mas reclama do descontrole provocado no orçamento e a bagunça na carteira de trabalho. “Entro num emprego, fico um tempo e depois sou mandada embora. Passa um tempo, consigo um novo registro e novamente tem uma demissão”.
Ontem ela foi até o Ministério do Trabalho para acompanhar o processo de entrada no seguro-desemprego. “Tenho contas para pagar e estamos próximos do Natal, não posso ficar sem dinheiro”, disse a sapateira. Com salário de R$ 800, Deiliane disse que ainda não recebeu o pagamento do mês passado.
Ela diz também que somente na fábrica onde trabalhava, outras 60 pessoas perderam o emprego em outubro. “É ruim para todo mundo que faz um planejamento e tem filhos para criar”. Deiliane mora no Jardim Vera Cruz e tem um filho de 4 anos.
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