No final de 2004, o Contran reservou presente para os motoristas brasileiros. Publicou a Resolução nº 168, obrigando os que tiraram CNH antes de 21 de janeiro de 1998, a passarem por cursos de direção defensiva e de primeiros socorros para regularizar o documento.
A partir dessa data, para renovar a CNH não basta ficar em três filas diferentes - do cadastro, do banco e da foto - e perder a manhã inteira de trabalho; deve o motorista gastar mais tempo e dinheiro e fazer cursos oferecidos pelos Centros de Formação de Condutores, que em Franca, tem um custo estimado de R$ 70. O curso oferecido pode ser feito à distância - é o futuro chegando! - desde que se pague por ele, obviamente. Para o motorista que optar fazer as provas no Ciretran a taxa é menor, mas corre-se o risco de ser reprovado, o que não acontece nesses centros de formação.
Velhos motoristas podem ser vistos humildemente sentados em bancos de cursinhos para aprender o que a experiência de 10, 20 ou 30 anos ao volante há muito já lhes ensinou. Eu acho um absurdo uma pessoa que dirige todo esse tempo sem ter se envolvido em acidente, levado uma multa sequer e muito menos uma advertência do guarda de trânsito, ter que se submeter a testes e exames novamente. Além disso, quem trabalha quase não tem tempo para ir às aulas.
Um condutor amigo meu se revelou possesso com essa norma e disse que tempos atrás, ao renovar sua CNH pela décima vez já havia se submetido ao teste de direção defensiva. Mas, mesmo utilizando esse argumento, disseram-lhe que deveria outra vez passar pelos mesmos testes e, ainda, durante 10 dias, freqüentar aulas de como deve dirigir. Não entra na cabeça de qualquer ser humano, de inteligência mediana, tal medida. A não ser que a intenção seja para arrecadar mais dinheiro do contribuinte.
O que mais pode aprender o motorista? O manejo da direção, a forma de trocar marchas do câmbio, aceleração, cuidar dos sinais de trânsito, enfim, dirigir o veículo? Para isso, claro está, não vai precisar de aulas práticas e teóricas.
O Brasil é um País dos absurdos. Quem não se lembra do famoso estojo de primeiros socorros? A exigência foi banida e quem ganhou com isso foram os fabricantes do kit. Em Franca o grito é geral dos que estão com suas CNHs vencendo e vencidas. Tem muito motorista que nem está renovando sua carteira e continua dirigindo. Dizem que como a fiscalização é deficiente, vale à pena aventurar. Bem que o Contran poderia rever essa sua mal aplicada resolução! Se quiser punir os que não obedecem às leis do trânsito, ou achar que com isso o número de acidentes vai diminuir, com certeza esse não é o caminho correto.
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Parlamentares brasileiros, sempre à caça de votos, criaram dias e mais dias para rememorar heróis anônimos. Diariamente, basta procurar e logo se encontra uma infinidade de homenageados, profissionais de todos os tipos e santos. Também se buscou dar dimensão maior em alguns casos, cujo exemplo maior é o Dia da Consciência Negra, que se comemora hoje e é feriado em diversos municípios. Nada contra a evocação da luta, das conquistas. Mas daí em transformar em feriado é um passo gigantesco. Não se atentou para o fato de que o Brasil ainda é um País pobre, emergente, e que precisa do trabalho para se desenvolver. Feriado não serve de homenagem, nem de evocação. O dia perdido é aproveitado integralmente para o lazer, jamais como chamamento ao civismo, às lutas, à busca de soluções para problemas.
NEGATIVO
Anotem esse nome: Gabriel Afonso Mei Alves de Oliveira, presidente do conselho deliberativo da Francana. Ao impugnar a chapa da oposição, liderada por Cláudio Roberto Silva, o Claudinho, e declarar reeleita a atual diretoria do clube, comandada por José Servino Braga, tornou-se responsável pelo destino da Veterana nos próximos dois anos. A oposição oferecia ao clube patrocínio da Finta, parceria com o Santo André e a promessa de cotização de R$ 300 mil para a Série A-3 de 2009, dinheiro vindo de um grupo de 20 empresários. Já o presidente reeleito não sabe como saldar uma dívida declarada de R$ 111 mil e nem como encontrar recursos para montar um time para o campeonato que começa em janeiro. Tudo indica que a Francana vai passar mais uma temporada mendigando ajuda. Lamentável!
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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