Fim de ano ‘fraco’ assusta donos de bancas de pesponto


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Por conta dos pedidos de Natal, os meses de outubro a dezembro nas bancas de calçados sempre foram sinônimos de aumento na produção e horas extras de trabalho. Foram, não são mais. Pelo menos neste ano, os banqueiros estão vivenciado uma outra realidade: a redução dos serviços e o encerramento das atividades na primeira quinzena de dezembro. O Comércio ouviu, ontem, 14 proprietários de bancas terceirizadas que trabalham para empresas de grande porte. A maioria garantiu que a expectativa de aumento de renda neste final de ano foi frustrada. Pelo menos oito foram incisivos em dizer que a situação é a pior que já viveram. Daniel Silva Bezerra, da Pesponto Silber, acreditava que a queda de 40% na produção durante todo 2008 fosse superada ao menos nos três últimos meses. Não foi o que aconteceu. “Continuei pespontando os mesmos 80 pares/dia que produzi o ano todo”. Ele se disse assustado com a situação. “Dos 15 anos que trabalho com pesponto esse foi o pior que eu já enfrentei”, completou. Apesar da frustração, o trabalho na banca de Daniel está garantido até 18 de dezembro. “A volta está prevista para 5 de janeiro, mas é uma data irrisória, sempre volto bem depois”. Outro banqueiro, Geovani Gerardeli, esperava produzir mais neste período do ano para garantir um janeiro tranqüilo, mês em que naturalmente falta serviço para os terceirizados. O que ele viu foi o inverso. Sua produção de tênis reduziu em 30% - ele não revela quanto fabrica. “Este ano está difícil. Em dez anos que trabalho no esquema com funcionários foi o pior”, reclama. No dia 5 de dezembro, Geovani pára a produção. A volta em 2009 é incerta. “Não tem previsão. Geralmente volta depois da Couromoda (segunda quinzena de janeiro). Como não tem certeza, a gente tem que dar uma ‘puxada’ no fim de ano para garantir (dinheiro) em janeiro”. OUTRO LADO LCC, gerente de fábrica de calçados e responsável pelas bancas, disse que a queda na produção de fim de ano assustou. Segundo ele, ao longo de 2008 a empresa em que trabalha vendeu 60% menos que nos anos anteriores. O corte e a redução de serviços para as bancas foi inevitável. “Tínhamos 12 bancas e agora estamos com cinco. Ainda assim, essas cinco estão fabricando menos. Não temos outra saída senão o corte”. LCC acredita que a crise da economia mundial, deflagrada em setembro pelo mercado financeiro norte-americano, pode ser um motivo para a queda nas vendas de calçados. “Ninguém está comprando. As pessoas estão economizando para comer, temem o desemprego. Falamos para os banqueiros terem paciência e esperar”. Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, avalia a situação de uma maneira mais positiva. “Talvez a empresa contratou mais, ou seja, aumentou o fluxo de gente no decorrer do ano. Quer dizer, manteve uma organização maior que não tinha antes”. Outra possibilidade, segundo o sindicalista, é de que as empresas podem ter optado por não assumir compromissos grandes porque temem que os pagamentos não sejam honrados pelos compradores. “São hipóteses. Eles (os calçadistas) é que teriam que abrir o jogo”.

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