Nos próximos dias as empresas injetarão, segundo cálculos de analistas, R$ 78 bilhões na economia brasileira, com o pagamento do 13º salário. Os trabalhadores/consumidores contam como dinheiro todos os anos e fazem compromissos porque sabem que o receberão.
Utilizaram o capital para pagamento de dívidas ou compra dos mais diversos bens. Mas como usar adequadamente este 13º salário? Primeiro: se você recebe o décimo terceiro é porque trabalha registrado e isto o diferencia de uma parcela da população que vive na informalidade. Pois bem. Antes de contrair mais dívidas, é importante verificar as já feitas e a possibilidade de quitá-las, principalmente com algum desconto para pagamento antecipado. É preciso começar pelas dívidas “mais caras” como cheque especial ou cartão de crédito. Importante também deixar uma “gordura” para o mês de janeiro, que acumula pagamentos com impostos (IPVA, IPTU, etc.) e educação.
Lembre-se que até poucos dias, o próprio SCPC de Franca parcelava dívidas inscritas e dava descontos para pagamento à vista. Então, é hora de pechinchar. Como você terá dinheiro em mãos, tem condições de negociar um bom desconto, já que o credor tem a expectativa clara de receber a dívida na totalidade. Jamais faça novas dívidas sem quitar as já feitas.
O 13º deveria ser um dinheiro extra, mas já chega comprometido. Há o mito de que o brasileiro não consegue guardar dinheiro e, por isso compra carro financiado e paga prestações mensais porque não consegue poupar o suficiente para comprar à vista. Precisamos derrubar isso. As empresas se aproveitam deste histórico e vendem tudo parcelado, com juros estratosféricos.
As grandes redes de lojas atualmente não se interessam em vender geladeira, fogão ou televisão. Querem vender “dinheiro”, ou seja, se um produto custa R$ 1 mil, preferem receber em dez parcelas de R$ 100,00 a dar um desconto para pagamento à vista. Já tentei comprar produto à vista em que o vendedor não dava qualquer desconto e depois me avisou que recebia orientação da loja para vender tudo a prazo, sem qualquer desconto.
Está na hora de darmos um basta nesta situação de juros, juros e mais juros. Temos que aprender a poupar e comprar os produtos à vista com desconto! As prestações devem ser evitadas ao máximo, até porque se você compra um carro em 60 parcelas de R$ 750,00, você tem certeza que deverá pagar por cinco anos todo mês este valor, mas não tem nenhuma certeza de que seu emprego resistirá os cinco anos! E mais: se você juntasse R$ 750,00 mês a mês durante dois anos, teria aproximadamente R$ 20.000,00 o que lhe possibilitaria adquirir um bom veículo à vista sem qualquer dívida.
Este é o segredo: não entrar em dívidas! Pagar à vista! É difícil, mas temos que nos habituar. Pagar juros não está com nada. Você se escraviza e fica refém da prestação.
Obviamente que resistir aos apelos do mercado que sabe que todos receberão um décimo terceiro salário em dezembro, não é tarefa das mais fáceis. A propaganda é criativa e trabalha bastante o impulso e o desejo do consumidor. Mas é preciso ter cautela, ninguém deve ficar sem presentear seu ente querido no Natal, até porque isso faz parte de nossa cultura também, mas contenha-se. Compre apenas o necessário para agradar a pessoa querida, não faça loucuras com seu dinheiro, até porque comprar um presente de valor elevado é bom, mas entrar 2009 sem dívidas é muito melhor.
Pense nisso: um 2009 sem dívidas! A crise econômica mundial se agrava a cada dia. Mais do que nunca, numa época em que não há qualquer estabilidade no emprego e guardar um dinheiro significa uma segurança para o futuro, o melhor a fazer é ter cautela no gasto.
Portanto, bom 13º salário. Que tenhamos um ótimo Natal e um 2009 sem dívidas é o que desejo aos meus leitores.
CARTÃO SEM SOLICITAÇÃO
A instituição financeira que envia cartão de crédito e faturas de cobrança de anuidade ao consumidor está sujeita a pagar danos morais. É o entendimento da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que condenou instituição bancária ao pagamento de indenização por danos morais a uma consumidora gaúcha que recebeu um cartão de crédito não solicitado e mais três faturas no valor de R$ 110 cada uma, referentes à anuidade. Ela tentou cancelar o cartão e as cobranças indevidas, mas o banco se negou a efetuar os cancelamentos. A consumidora, então, entrou com ação de indenização por danos morais contra a instituição financeira que foi condenada a pagar R$ 10 mil.
PROCON FRANCA
Foi noticiado no Comércio da Franca que o Procon Franca distribuirá 30 mil cartilhas aos consumidores francanos com alerta sobre os serviços bancários. Digna de elogio, a iniciativa. Investimento em prevenção, caminho mais curto para um País consciente e cidadão. Mas é preciso atuar também na repressão, porque nem sempre as empresas respeitam as regras. Vamos à luta, Procon!
PLANO DE SAÚDE DO IDOSO
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vedou os reajustes nas mensalidades dos planos de saúde da Unimed de Natal (RN) a partir de janeiro de 2004, em razão de mudança de faixa etária daqueles que completarem 60 anos ou mais, independentemente da época em que foi celebrado o contrato, permanecendo os consumidores idosos submetidos aos demais reajustes definidos em lei e no contrato. A decisão foi unânime. Desta forma, o idoso foi respeitado e tal decisão abre um precedente para que outros planos de saúde de outras cidades também respeitem o idoso e seus direitos.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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