“Já passamos com criatividade por tantas crises... Essa nem é a pior delas!”. A afirmação de Ivânio Batista, consultor da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) para a região sudeste do País, resume como o setor calçadista francano diz sentir a crise da economia mundial, deflagrada em setembro pelo mercado financeiro norte-americano. Para não se mostrar um completo otimista, Batista, faz uma ressalva: “O principal problema a ser enfrentado pelo setor é a falta de crédito, mas temos um mercado interno forte”.
O presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, é ainda mais veemente em rechaçar a idéia de que a crise tenha chegado ao setor. E para comprovar, cita dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). “Entre dezembro do ano passado e setembro deste ano, foram criados mais de 9 mil postos de trabalho na indústria francana, uma contratação superior a anos anteriores e esperamos para janeiro de 2009 um resultado ainda melhor”, disse. Quanto à possíveis demissões em massa, ele afirmou que por enquanto não recebeu informações sobre nada que fuja ao normal. “Registramos apenas o processo sazonal comum ao setor”, concluiu.
Com 150 funcionários diretos e cerca de 600 indiretos, Vainer Ribeiro, diretor-proprietário da Opananken, afirmou que não haverá demissões por causa da crise. “Nossa equipe pode ficar tranqüila porque vamos continuar a investir e lutar em favor da produção, dos funcionários e do mercado”, afirmou Ribeiro. Quanto a sentir os reflexos do problema mundial, o diretor acredita que deve haver um desaquecimento do mercado, mas não em seu fim. “Sentimos que os lojistas estão com medo de que o Natal seja mais fraco em vendas e deve ser mesmo, mas ainda assim temos certeza de que o mercado vai sobreviver”, disse.
Para o empresário Mário Spaniol, da grife de calçados e bolsas Carmen Steffens, a crise econômica tornou seus produtos mais competitivos. “Temos 50 lojas no Brasil e 18 no exterior. A alta do dólar acabou favorecendo nossas exportações. Mesmo em nossa loja em Los Angeles, nos EUA, as vendas continuam normais”, contou Spaniol. O resultado tem sido tão positivo que a empresa já anunciou para 2009 a contratação de mais 150 funcionários. Eles devem se juntar aos 1,3 mil que já atuam nas duas unidades da grife.
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