O sapateiro TALN, 32, morador no Leporace, levou um susto quando, em abril deste ano, chegou em casa e viu que havia recebido uma intimação para comparecer ao Fórum para uma audiência. O motivo era uma autuação por porte de drogas, mais especificamente, maconha. O rapaz nega ser usuário de entorpecentes. Afirma que seu irmão, o desempregado JAN, 31, tentou incriminá-lo e deu seu nome quando foi detido por policiais, três meses antes.
Mesmo não devendo, TALN foi ao Fórum verificar do que se tratava. Foi quando reconheceu a caligrafia utilizada no TC (Termo Circunstanciado), no dia da detenção, como sendo a de seu irmão. “Peguei uma carta que meu irmão enviou para meu pai quando estava na cadeia. As letras eram bem parecidas”, disse.
Como o processo continua em trâmite, o sapateiro continua tentando provar que é inocente. Ele esteve na Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) onde fez um exame grafotécnico para provar que a letra no termo não é dele, mas do irmão, JAN, que saiu da cadeia. Os irmãos moram na mesma casa. “O que eu quero é só tirar meu nome disso aí. Eu nunca tive problema com polícia e não pretendo ter”, disse o sapateiro.
O delegado Sidnei Martins de Oliveira disse que, se a versão de TALN for confirmada com os laudos técnicos, será aberto um inquérito policial contra JAN. “Estando comprovado através da perícia, o irmão será processado por falsidade ideológica, que pode render-lhe uma ‘cana’ de um a cinco anos de prisão”, disse Oliveira. O resultado do exame ficará pronto em até 20 dias.
CONFUSÃO
O delegado disse que a confusão pode ter ocorrido por causa do tumulto que, não raro, ocorre no Plantão Policial, por causa do grande volume de trabalho. “É muito tumultuado e quase sempre as pessoas não portam documentos, o que dificulta muito a identificação. Aqui (na Dise), como a gente faz no expediente, quando a pessoa não traz documento, a gente manda o investigador em casa”.
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