A carne bovina foi a grande vilã da cesta básica no mês passado em Franca. Dos 13 itens que compõem a cesta, o produto foi o que registrou o maior aumento.
O reajuste sofrido na comparação dos preços praticados nos meses de setembro para outubro deste ano chegou a 11,58%. É o maior índice desde julho de 2007, quando o aumento em relação ao mês anterior ficou em 13,02%.
O levantamento faz parte da pesquisa mensal da cesta básica realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas Sociais) do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca).
Em outubro, seis quilos de carne - referencial de peso utilizado na pesquisa - custavam, em média, R$ 62,34 (R$ 10,39 por quilo). Um mês antes, a mesma quantidade era vendida por R$ 55,87, ou R$ 9,31 o quilo.
De acordo com os dados da pesquisa, a tendência não é tão recente. O preço vem em constante ascensão desde março. Nesses sete meses, o valor do produto caiu apenas em agosto.
Para o professor de economia e pesquisador do Ipes, Hélio Braga Filho, a justificativa para o aumento está na retração da oferta. Trata-se, para ele, de uma jogada de mercado pelos criadores de gado para que ocorra uma valorização do valor da carne.
O objetivo seria alcançar o melhor preço possível no mercado. "É uma alternativa usada pelo pecuarista para ajustar o preço diante de uma alta demanda", disse Braga.
O pesquisador alerta que a tendência é que os aumentos continuem este mês e em dezembro em razão do aumento de consumo que costuma ser registrado pelos consumidores nas festas de fim de ano. "São meses de muitas festas, então, é interessante para o pecuarista manter a alta nos preços, pois as pessoas continuarão a comprar", disse Braga.
PREÇO MAIOR
Proprietário da Casa de Carnes Paladar, José Carlos Pereira afirmou que conta com o aquecimento das vendas como reflexo das festas de fim de ano.
Segundo o comerciante, o aumento de preço da carne constatado pela pesquisa do Ipes fez com que os consumidores reduzissem o volume de compras em seu estabelecimento.
Segundo ele, um cliente que em setembro comprava cinco quilos de carne a cada ida ao açougue, passou a comprar apenas três. "Isso é ruim para a gente, mas não há o que ser feito", disse.
Acostumada a preparar carne para o almoço todos os dias, a cozinheira aposentada Vânia Couto da Cruz precisou recorrer a receitas alternativas para não mexer no orçamento. "Comecei a fazer mais massas, purês e saladas", disse.
OUTROS AUMENTOS
A cesta básica completa chegou, em outubro, ao valor de R$ 184,05, com aumentos nos preços da batata e do feijão. Nesses dois itens, a explicação foi a alta dos fertilizantes e adubos importados, com valores cotados em dólar, por conta da variação da moeda americana. Em agosto, a cesta custava R$ 179,67. A batata e o feijão subiram, respectivamente, 7,37% e 6,50%.
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