`Foi Deus que pôs a mão que me salvou’


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Pintor há cinco anos, Eugésio Natal Bernardes, 38, sofreu o primeiro acidente de trabalho e viu a morte de perto em setembro deste ano. Ele pintava um sobrado quando se aproximou da rede elétrica e recebeu um choque de 13 mil volts. Ele foi arremessado e caiu de sete metros, mas sobreviveu. O trauma transformou a vida dele. O braço esquerdo ainda tem a cicatriz da queimadura, os dentes ficaram moles depois do choque, ele anda com dificuldades, não tem força nos braços e nas mãos, o fundo dos olhos queimou e ele enxerga com dificuldades. Até 15 dias atrás, Eugésio fazia curativos na cabeça todos os dias. Ele fez cirurgia para enxerto de pele para cobrir "o buraco". Toma antibióticos e calmante. A luta de Eugésio é conviver com as seqüelas e descobrir outra profissão para criar os quatro filhos. Comércio da Franca - Como aconteceu o acidente? Eugésio Bernardes - Eu lembro só de quando eu acordei na Santa Casa. Sei que meu sobrinho, minha esposa e os bombeiros me encontraram caído no chão, com o corpo todo preto por causa do choque. Estava trabalhando na pintura de um prédio e levei o choque só de passar a uns cinco centímetros do fio. Recebi a descarga e caí. Deus pôs a mão e eu não quebrei nada. Fiquei com seqüelas, mas se Deus quiser eu vou voltar a ficar bom. Comércio - O senhor sabia dos riscos da rede elétrica? Eugésio - Não, não sabia. Sabia que se encostasse tomava choque. Nem usava capacete porque a gente pinta em tudo quanto é lugar e nunca acontece nada. Comércio - Qual conselho para as pessoas? Eugésio - Acho que as pessoas têm de tomar muito cuidado. Fiquei com trauma de tudo, de tomada, nem sei se voltarei a ser pintor. Acredito que vi a morte de perto. Os médicos falaram que tenho dois aniversários.

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