No dia 5 de setembro de 2008, o pintor Eugésio Natal Bernardes, 38, trabalhava num sobrado no Jardim Tropical I quando passou a cabeça próxima ao fio de alta-tensão e recebeu descarga elétrica de 13 mil volts. Com o choque, foi arremessado sobre uma marquise e depois ao chão, uma queda de sete metros de altura. Apesar da gravidade do acidente, Eugésio sobreviveu. Ficou com seqüelas, mas é uma exceção. Outras pessoas que receberam tal descarga elétrica morreram eletrocutadas.
Para se ter idéia dos riscos, na região, em 20 meses, pelo menos quatro pessoas morreram em acidentes provocados por eletricidade. A estatística baseia-se nos arquivos do Comércio da Franca de 2007 até a semana passada. Mas o número de vítimas pode ser maior, pois nem todos os casos são noticiados pelo jornal. "Todo dia lembro do choque. Foi Deus que pôs as mãos e me protegeu", disse o pintor (leia no site).
Os dados sobre o problema mostram que a eletricidade é uma ameaça silenciosa. Pode deixar sérias seqüelas, como queimaduras de terceiro grau com necrose na pele, e provocar mortes. Todo mês, o Corpo de Bombeiros de Franca atende, em média, três vítimas de acidentes do tipo. No ano passado, foram registradas 1,9 mil ocorrências em todo o Brasil.
Segundo especialistas, os casos mais comuns acontecem por imprudência e falta de conhecimento. Os mais comuns ocorrem durante furto de fios, pintura de imóveis e quando as pessoas decidem consertar problemas com energia em suas casas sem ajuda de profissionais. Nessas situações, costumam encostar em fios desencapados e recebem a descarga elétrica. "O ideal é a pessoa contratar um profissional habilitado para os reparos, mas, se decidir fazer sozinha, deve usar luvas e chinelos de borracha e não estar molhada para evitar choques", disse Luís Carlos da Silva, engenheiro elétrico da CPFL Paulista.
Se for fazer serviços na laje é preciso estar com lanterna para observar melhor as condições dos fios. "Alguns pássaros podem entrar no forro e danificar a rede. No escuro, a pessoa não enxerga e recebe a descarga elétrica, que pode matar", disse o sargento Ismael Alonso Gomes, bombeiro há 26 anos.
Acidentes também acontecem com caminhões. Os veículos encostam na rede de alta-tensão e a descarga elétrica acaba atingindo o motorista. Os danos causados pelo choque dependem da estrutura da pessoa. "Se tem a pele mais grossa nas mãos, como um lavrador, tem mais proteção. Dependendo da situação, os 127 volts das tomadas comuns podem provocar parada cardíaca e matar; mas às vezes o choque não passa de susto", disse o engenheiro.
EVITE
Medidas simples podem evitar tragédias. A orientação para pintores e outros profissionais é para observarem a proximidade dos fios de alta-tensão do local onde vão trabalhar. Se a distância for muito curta, devem solicitar à CPFL o desligamento da energia durante os serviços. A chave de energia sempre deve estar desligada antes de reparos no chuveiro, tomadas e outros locais da residência.
Ao tomar choque, a pessoa fica eletrizada e se outra encostar nela ficará "grudada". O correto é retirar a pessoa usando luvas de borracha ou um pedaço de madeira. "É preciso dar um tranco na vítima para livrá-la do choque", disse Luís Carlos.
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