Quem passa constantemente pelo cruzamento das Avenidas Presidente Vargas e Major Nicácio já se habituou com a presença de um grupo de andarilhos que passa o dia nos bancos existentes nas proximidades da Praça João Mendes. Além de consumir bebidas alcoólicas com freqüência e fazer suas necessidades fisiológicas pelo local, pedem esmolas às pessoas que estacionam veículos nas imediações.
Sem residência fixa, o grupo - composto por várias pessoas - utiliza duas praças da cidade como “moradia”. Durante o dia, eles permanecem na João Mendes e à noite se deslocam para outra praça, localizada Rua José Bartocci, no Bairro São José, onde tomam banho e lavam suas roupas em uma mina d’água existente no local.
A balconista Raquel Tomazi, que trabalha em um escritório na Rua Líbero Badaró, optou por mudar o caminho que faz diariamente para chegar à sua residência. “Passei duas vezes por lá e mexeram comigo. Depois disso, sempre que preciso ir ao banco ou voltar para casa após trabalhar faço outro caminho e evito o contato com aquele grupo. Eles bebem muito e tenho medo que façam alguma coisa”, disse.
Mesmo diante das provocações, a balconista demonstra preocupação com a situação vivida pelos andarilhos. “Tenho pena, pois são seres humanos que se perderam na vida. Se eles não conseguem sair dessa situação, as autoridades precisam olhar com carinho e tentar encontrar alguma solução. Como eles bebem muito, temo que aconteça algum atropelamento por lá”, completou Raquel.
A sapateira Márcia Cristina Barbosa Terra também mudou de caminho. “Sempre que posso evito passar por perto, pois eles bebem e ficam agressivos. Sem contar que o cheiro no local é insuportável por conta da sujeira que eles fazem por ali”, disse.
Na manhã de sexta-feira, a reportagem do Comércio tentou se aproximar de três membros do grupo que consumiam pinga. Ao notar a presença da equipe, afastaram-se imediatamente e não aceitaram dar entrevistas.
MÃOS ATADAS
Roberto Nunes Rocha, secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Ação Social, afirmou que atualmente existem 50 andarilhos que vivem pelas ruas de Franca. “Conheço bem este grupo que fica naquele local. Por diversas vezes os levamos para o abrigo. Eles permanecem lá alguns dias, mas como o consumo de bebidas alcoólicas é proibido, eles saem e voltam para aquela praça, onde têm mais liberdade”.
Um funcionário do abrigo municipal, que pediu para não ser identificado, confirmou a dificuldade em manter os andarilhos no local. “No primeiro dia, eles tomam banho, se alimentam e permanecem calmos. O problema acontece quando eles querem beber, aí não tem quem os segure aqui. Vão todos embora de uma vez”.
Diante do problema, um grupo de comerciantes e moradores das imediações organizou um abaixo-assinado, que foi protocolado na Prefeitura há um mês (leia mais no texto de apoio).
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