Respeitar é preciso


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Longe do meu pensamento a impressão de que carrego algum conhecimento técnico da organização de trânsito urbano, no entanto, como usuário das ruas na qualidade de motorista, como pedestre passível de um atropelamento, desses que tem feito tantos idosos sucumbirem pela inconsciência da indisciplina, me arrogo o direito de entrar na discussão. Este jornal – investindo no social – tem consumido muito espaço e tinta através de seus articulistas, editoriais e repórteres com objetivo de buscar a implantação de boa cultura na educação e respeito das partes envolvidas, transeuntes ou motoristas e agentes fiscalizadores, na euforia da necessária movimentação urbana. Quem o maior culpado? A quem atribuir à força degenerativa do pecado? Ao tresloucado motorista sempre apressado tentando fazer-se temido pela máquina assassina que comanda? Ao esquálido passante de camisa molhada pela chuva ou suor imposto pelo sol fervente a caminho do trabalho ou mais apropriadamente, ao casal de velhinhos de mãos entrelaçadas procurando na lenta caminhada impedir a chegada da total inflexibilidade dos músculos conquistada pelo tempo? Finalmente, que parcela de culpa poderia atribuir-se aos agentes políticos e fiscalizadores do sistema? Nesta terra das palmeiras onde canta o sabiá, onde legislar é um brinquedo a defender interesses nem sempre confessáveis, e ainda buscando temas demagógicos, criar leis para que nunca se cumpra tem sido prática constante. Colocar placas orientadoras de trânsito e instalação de semáforos significa expressivo gasto de recurso público, no entanto, nada representa diante do flagrante desrespeito aos princípios disciplinares que deveriam reger a vida cidadã. O consumo indiscriminado de drogas e álcool por menores e adultos que a lei seca não conseguiu controlar, a ausência de educação em relações humanas, a larga facilidade adotada na expedição de CNH, a inexistência de um documento com duras regras de compromisso firmado pelo habilitante, a falta de um instrumento julgador imediatamente após a ocorrência do fato, a ignorância das posturas legais revelada por condutores, – onde há faixa a preferência é do pedestre – estão a compor o pequeno rol de razões a responder pela culpa dos inúmeros acidentes e mortes noticiados diariamente por este jornal em sinal de alerta. Aos fiscalizadores e responsáveis pelo organograma do trânsito local, oferecemos hoje dois pontos para checagem das condições em que estão sendo processados os comportamentos diuturnamente: Avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso em frente à Uni-FACEF com faixas de segurança nas duas pistas acrescido do benefício de semáforo para comando do pedestre. Acione o sinaleiro e ouse atravessar ao acender-se o verde, mas, cuidado para não se transformar em manchete do jornal. Na mesma avenida, nasce a Rua Vicente Gramani onde existe uma grande placa de proibição sinalizando contramão. Os bem habilitados entram à toda e ainda garantem prêmio aos pedestres em risco: xingamentos! Como poderá ser a correção? Respeitar é preciso. Tirar a placa é mais fácil? Garcia Netto Jornalista

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