No mês de outubro, a região de Franca, formada por 19 municípios, foi a que mais fechou postos de trabalho na indústria em todo Estado de São Paulo, segundo pesquisa mensal de empregos do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), que abrange as 42 diretorias regionais da entidade. O saldo entre as contratações e demissões ocorridas no período ficou negativo em 2,71%. No total, 907 vagas foram cortadas. No acumulado dos últimos 12 meses, este número sobe para 4,7 mil. O Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca contesta os números apresentados.
O mau desempenho também aparece na soma das regionais. No geral, houve queda de 0,41% em relação a setembro, o que equivale ao fechamento de 10 mil vagas em todo o Estado - o maior dos últimos cinco anos.
Em Franca, de acordo com o estudo, as empresas do ramo de couro e artigos para viagem foram as que mais fecharam postos, seguidas pelas indústrias de calçados e de artigos de borracha. O Ciesp não divulga o número de vagas fechadas por setor.
A pesquisa tem por base informações coletadas em 48 empresas da região. Elas pertencem a 12 diferentes setores da indústria de transformação, como borracha e metalurgia. Juntas, são responsáveis por 45 mil empregos, segundo o Ciesp, que toma por base a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2004. Com a condição de não terem os nomes revelados, no último dia de cada mês, essas fábricas informam à entidade quantos funcionários têm.
O número é comparado ao do mês anterior e, a partir daí, os pesquisadores chegam à taxa de variação do emprego. A cobertura do estudo é de até 60% do total de empregos, dependendo do setor.
Segundo o Ciesp, a cadeia produtiva do calçado também puxou para baixo os índices da regional de Jaú, no Centro do Estado. Conhecida por ser um dos principais pólos de produção de sapatos femininos do País, a região teve o segundo pior desempenho em outubro.
A explicação para os cortes é a crise econômica que retraiu as exportações e afetou diretamente a produção de calçados.
SEM EMPREGO
Elza da Silva, 37 anos, moradora no Leporace, em Franca, passou a engrossar as estatísticas de desempregados há quatro meses, quando a fábrica de calçados onde trabalhava fechou as portas. Junto com ela, foram demitidos outros 50 funcionários. Até hoje, Elza não conseguiu outro emprego. "Procurei bastante, mas acabei desistindo. Agora vou esperar até janeiro para voltar a trabalhar, porque nesta época é muito difícil as empresas contratarem", disse Elza, que é casada e tem um filho.
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