Aos 4 anos, Kailainy Aparecida Martins, enfrenta uma dificuldade comum de quem precisa passar por uma cirurgia eletiva: a espera. A menina sofre com problemas na garganta que a impedem, entre outras coisas, de ter um sono tranqüilo. A única solução para acabar de vez com o problema é retirar as amígdalas.
A pedido dos médicos, a mãe de Kailainy, a costureira Aparecida Moraes, inscreveu a criança na fila das cirurgias eletivas quando ela tinha sete meses. No mês passado, o Estado liberou a operação, mas a criança ainda terá que esperar. Desta vez, o motivo é a debandada de médicos otorrinos na Santa Casa de Franca.
Os médicos que integravam o quadro clínico da especialidade pediram demissão em massa no mês de setembro. Apenas uma médica permaneceu no hospital e tem priorizado o atendimento dos casos de urgência. A situação só deverá se normalizar a partir da contratação de novos profissionais, prevista para dezembro.
Enquanto isso 38 pacientes que já tinham a liberação do Estado para operar têm de aguardam. Entre eles, Kailainy. "São quase quatro anos de espera e agora que liberaram ela não pode fazer", reclama Aparecida Morais.
A costureira disse não agüentar mais ver o sofrimento da filha. Por conta das amígdalas grandes, são constantes as infecções de garganta.
À noite, a situação fica ainda pior. Durante o sono, Kailainy tem dificuldades para respirar e Aparecida não dorme. "Tenho que virá-la na cama a noite toda porque ela perde o fôlego. Não durmo com o meu marido. Fico acordada porque tenho medo de ela se sufocar. O último médico que passei disse que a garganta dela está fechando cada vez mais".
Aparecida também disse ficar triste pelo fato da criança não poder brincar na terra, nadar, tomar sorvete. "Já orei muito. Fiz tudo que poderia fazer. Me dói ver ela nessa situação".
Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde informou que o DRS-8 (Departamento Regional de Saúde) vai discutir com a direção da Santa Casa uma solução rápida para o problema. A secretaria não descarta a possibilidade de encaminhar algumas cirurgias aos hospitais da região.
A direção da Santa Casa, por meio da sua assessoria de marketing, disse que fará um mutirão de cirurgias assim que os profissionais otorrinos forem contratados e não informou os motivos para a saída em massa dos profissionais.
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