Testemunhas da Barão


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Poucas mais frondosas, imponentes e fortes, resistindo no tempo e teimando continuar existindo bravamente. Testemunhas vivas que atravessaram gerações; donas de segredos inexprimíveis de pessoas que passaram e de outras que vão passando cumprindo suas trajetórias de vida tão efêmeras. Bravas confidentes são estas que colecionam décadas e décadas de companheirismo e cumplicidade aos amantes da civilidade francana... São as árvores da Praça Barão, recatadas e silenciosas, boas ouvintes de um povo que continua construindo história. Seja sob o abrigo do sol escaldante do dia, seja protegido do orvalho fino da noite, lá estarão aqueles habituados a se agruparem para pensar a cidade e, por que não dar alguns “pitacos” sobre a vida alheia; afinal ninguém é de ferro. Às vezes me pego pensando como seria se aquelas musas da fotossíntese falassem... (isso pode ser sério). Imaginem se tivessem boca e contassem o que ouvissem, seria um verdadeiro ‘Deus-nos-acuda’. Indo mais adiante: e se tivessem aquelas espécies de chip que armazenasse ‘dados’ e assim pudéssemos de tempo em tempo colher as informações? Nossa, acho que agora fui longe e nem é bom cogitar muito sobre isso... Considerados os avanços tecnológicos, muitos certamente perderiam o sono com esta hipotética abordagem. Voltando às nossas musas, são para a árvores da Praça Barão da Franca a minha singela homenagem ao se aproximar mais um aniversário da amada Franca elegendo as celebridades que dão vida e despertam o belo em nossas pequenas almas, levando-nos ao sentimento prazeroso e único quando nelas nos abrigamos reconfortando o corpo num daqueles bancos, libertando o pensamento às coisas simples à nossa volta. Se perceptíveis forem os pobres mortais que nelas se refugiam, sentirão sensação nostálgica por um tempo não vivido, mas sabido que um dia existiu quando outros atores fizeram parte de seu elenco e também fizeram suas histórias, uns como pessoas públicas e outros preferindo o direito ao anonimato, porém, foram pessoas que jamais deixaram de existir no tempo e pisaram no solo da Barão sentindo o frescor e refrigério da sombra impalpável das grandes copas verdejantes que sobrevivem há gerações. Nesta época do ano que antecede o Natal elas receberão um lindo presente do nobre alcaide ao serem adornadas por pequenas luzes que as tornarão brilhantes e fulgentes, suplantando a escuridão da noite. Nossas árvores da Barão com raízes de rocha sempre nos esperarão. Cordiais anfitriãs prontas a receberem seus convidados e ouvir sem contestação; sejam pessoas simples ou importantes jamais serão discriminadas, pois lá está um dos palcos da civilidade do nosso povo, a ‘ágora’ (lugar de discussões) francana cercada e assistida pelas grandes testemunhas da Barão. Ricardo Veríssimo Júnior Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e deste jornal

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