O mundo do faz-de-conta


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Aproxima-se o Natal. Época de fraternidade, paz, alegria$. As ruas centrais da cidade começam a ficar mais bonitas. Para alguns vão ser dias de felicidade, de fartura, de consumismo exacerbado. Para muitos outros, centenas, são dias de tristeza, fome, frio, doenças e a falta de um teto. Pensa-se tanta coisa nesta época. E até se pensa que só agora é preciso pensar mais nos outros. Entender, por fim, que a vida é uma sucessão de elos nos tornando brutos ou gente. Pensa-se que um, dois ou cem quilos de alimentos aplacam nossa consciência. Tenta-se usar um spray que espalhe pelo ar a fragrância da fraternidade e, ao mesmo tempo, estanque a dor de tanta gente sofrida. A fome não é só produto da injustiça social. Ela é a cara da nossa indiferença pessoal, desse individualismo que nos isola até dos mais próximos. Está perto de nós, dizima grande parcela da população, mas ninguém a vê, ninguém quer ver, faz parte do quadro do cotidiano, é um fato banal. Com esmolas, com um prato de comida podemos mitigá-la, mas essa não é a solução. É dentro de nós que a fome de aparecer tem que começar a acabar. Sabidamente o mundo pode alimentar a todos os seus habitantes desde que seja contida a ganância dos poderosos. A fome só acabará com atitudes de primeira. Menos melodrama e mais consciência. Menos espetáculo e mais ação. Vivemos num mundo em que se gasta mais na mídia para se dizer que se construiu uma creche que o valor da própria creche. É preciso dar um fim ao mundo do faz-de-conta e viver num mundo em que o outro é quem conta. Tenho a informação de que um bilhão de pessoas no mundo passa fome. Os números são estonteantes e condenam todos os cidadãos do mundo e de forma particular os poderosos, porque ele afeta pessoas, seres humanos. A Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) promete gastar este ano R$ 300 mil reais somente em lâmpadas para enfeitar árvores no centro da cidade. Não sou contra a decoração de Natal, sei do seu simbolismo, mas sei também que seria mais aproveitável esse dinheiro se fosse revertido para alimentar famílias nesse natal. Por que não? Caso esteja sobrando, que seja feita a decoração, mas que se doe a mesma quantia para alimentar quem precisa de comida, dando a elas um Natal mais digno, mais alegre e sem fome. Faz pouco tempo, neste País abençoado, fértil e rico, em que muitos passam fome, ouvi um político de renome nacional, em campanha, discursando numa pequena, pobre e seca cidade do Piauí - onde um simples prato de feijão com arroz é considerado um manjar dos deuses - prometer do alto da sua importância, que um dia após a sua partida nunca mais faltaria um prato de comida para ninguém e... Chorou. O tempo passou, o político foi reeleito e nada aconteceu. Nada além de aumentar a fome, desta feita, temperada pelo desencanto e pela desesperança. DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS O Governo Federal faria bem se instituísse pesadas multas para pessoas ou entidades que estragassem alimentos. O desperdício de alimentos no Brasil é tão gigantesco que se torna impossível defini-lo em tonelagem. Além disso, em época de Natal e de vários programas sociais, desperdiçar comida significa caminhar na contramão. É debochar do sofrimento de milhões de pessoas. ELEIÇÕES NA FRANCANA A Francana tem eleições marcadas para a próxima segunda-feira. José Servino Braga procura se manter na presidência do clube, apresentando um projeto que prevê uma arrecadação mensal de R$ 125 mil, capaz de sustentar o time principal e as categorias de base do clube. Do outro lado, um grupo composto por 20 empresários tenta assumir a direção da Veterana com a proposta inicial de injetar R$ 300 mil por mês no clube e montar um time altamente competitivo para o próximo ano. Pelo visto, promessas não faltam, mas e a garantia que serão cumpridas? Que tal se fossem registradas num cartório da cidade? O torcedor está cansado de ser enganado. ACONTECEU Certo político, conhecido pelos discursos enfadonhos, falava em uma sala de conferência quando chega atrasado um colega. Ao entrar, ouve apelo do segurança: “Por favor, não faça barulho”. E ele: “O quê? Já tem gente dormindo”? NEGATIVO Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o brasileiro trabalha em média quatro meses e meio, quer dizer, 135 dias somente para pagar tributos. Em um passado recente, Lula e o PT eram contrários à pesada carga tributária. Eu disse eram. POSITIVO Um Homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta: - Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz? E o chinês responde: - Sim, quando o seu vier cheirar as flores. Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Não julgue. Tente apenas compreender. PERGUNTA INOCENTE O garoto olha para a tia que se pintava ao espelho e pergunta: - Por que você se pinta tanto, titia? - Para ficar mais bonita! - E por que não fica? Edward de Souza é jornalista e radialista edward@comerciodafranca.com.br

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