Os pecuaristas de Ibiraci (MG) e da região de Franca estão preocupados com a queda do preço pago pelo litro de leite nas cooperativas e usinas de laticínios. Em três meses, a redução acumulada chega a 45%. Em julho, o produtor recebia até R$ 0,80 pelo litro. Nesta semana, o preço oscila entre R$ 0,38 e R$ 0,50, dependendo da região. O motivo para a redução do preço é o aumento da oferta com a chegada da chuva que melhorou a pastagem e também a alta produção na região Sul do País.
O presidente do Sindicato Rural de Ibiraci (MG), Gaspar dos Reis, disse que o preço pago pelo litro do leite começou a cair naquela região no mês de agosto e não parou mais. "Tem muito produtor que está no vermelho. A queda do preço sempre começava em dezembro, mas neste ano começou bem mais cedo", disse.
O pecuarista Guilherme Raminelli é um dos produtores mineiros que não está conseguindo enfrentar a redução do preço. Com o faturamento em baixa, Raminelli deixará de mexer com leite. "No ano passado, eu tinha 280 vacas. Agora estou só com seis. Vou vender tudo e parar com o negócio. Não está compensando. Vou passar a comprar leite na padaria".
Em julho, Raminelli recebeu R$ 0,90 pelo litro de leite; agora recebe R$ 0,40. "Não compensa. Eu tenho um gasto diário de R$ 0,60 por animal com a compra de ração", disse o produtor que também começou a vender os tanques para estocagem de leite. Na região de Uberlândia, produtores em protesto pela queda do preço abateram 200 vacas. No Rio Grande do Sul, onde o litro chegou a R$ 0,35, os produtores fizeram protestos.
O produtor Guilherme Luís Figueiredo, de Patrocínio Paulista, também sentiu no bolso a queda do faturamento. "Atualmente estou recebendo R$ 0,50 pelo litro, mas o ideal é que fosse R$ 0,80", disse Figueiredo, que produz 200 litros por dia. O diretor do EDA (Escritório de Defesa Agropecuária) de Franca e Região, Antônio Victor de Oliveira, acredita que a tendência é que o preço caia mais 10%. "Tem muito produtor reclamando que vai soltar os bezerros junto com as vacas por que não está compensando".
O diretor da Usina de Laticínios Jussara, Odorico Alexandre Barbosa, de Patrocínio Paulista, disse que a redução dos preços está ligada diretamente ao excedente de produção que neste ano já chega a 20%. Um dos motivos é que, em 2007, faltou matéria-prima para a produção de leite em pó para exportação. Muitos pecuaristas viram uma oportunidade no negócio e aumentaram a produção. Agora sobra produto no mercado. Neste segundo semestre, os fornecedores da Jussara aumentaram a produção em 17%. A empresa, que capta leite em cem municípios, não passou os preços pagos aos produtores devido a diferença de valores de uma região para outra.
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