‘A lembrança permanecerá`


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Carlos Alberto Baptista, psiquiatra especializado em infância e adolescência atua no Naia (Núcleo de Atendimento à Infância e à Adolescência) em Franca e está habituado a tratar pacientes vítimas de abuso/assédio sexual, familiares e os próprios abusadores. Psiquiatra há 11 anos, explicou os traumas que a violência sexual pode provocar na vítima e familiares. Ele elenca problemas que vão da depressão a prejuízos cognitivos. “As vítimas geralmente desenvolvem prejuízos cognitivos leves, mas que impedem um desenvolvimento normal. Os agredidos podem ter também depressão. Os pais devem estar atentos aos sinais”. Lilia de Andrade Prado, psicóloga do Celeiro Espaço Sociodramático e do Recanto Samaritano, que atende crianças e adolescentes vitimizados, não acredita que a violência se apague da memória dos agredidos. “O tratamento ajuda a superar o fato, mas esquecer, não. A recordação permanecerá para o resto da vida para a vítima, a família. Você cura a ferida, mas sempre terá a cicatriz que lembra ela”. O OUTRO LADO Mas o que leva um adulto a sentir atração e abusar de uma criança de 4 anos? Segundo os dois especialistas, os abusadores sofrem de transtornos sexual, emocional e psíquico. “Na verdade, eles sentem desejo de controlar uma relação”, disse o psiquiatra Carlos Baptista, que percebe que a grande maioria dos abusadores já foram violentados. “Normalmente eles acabam tendo histórico de terem sido abusados no passado. Assim, o indivíduo aprende que o prazer pode ocorrer dominando alguém, subjugando o outro. Isso fica registrado e, quando tem condições de expressar esse sentimento, o faz”. Os agressores podem ser tratados com psicoterapia e medicação para auxiliar no controle. O principal entrave é buscarem ajuda. “Muitos só se tratam quando a Justiça impõe ou quando o comportamento passa a lhe trazer problemas no meio familiar, quando é descoberto”.

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