Vocação brasileira


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O caos do transporte urbano e as ameaças ao meio ambiente proporcionadas pelo tamanho da frota de automóveis existente nos grandes centros urbanos foram temas de muitas campanhas políticas nas semanas recentes. É importante observar neste contexto que setores da sociedade avançam silenciosamente no desenvolvimento de um projeto que irá atender às questões do trânsito e sua relação com a preservação ambiental: o carro movido a eletricidade. Vários pontos falam a favor do carro elétrico como um projeto capaz de casar eficiência no transporte, preservação do planeta e melhoria de qualidade de vida. Veículos elétricos só demandam energia quando se deslocam. Nos horas de pico de trânsito, seu consumo de energia é significativamente inferior em relação aos carros movidos a combustíveis fósseis. O carro elétrico não emite gases e não produz poluição sonora. Além disso, sua aceleração é suave, vibra pouco e apresenta vida útil elevada, necessitando de pouca manutenção. Modelos movidos a eletricidade só não estão ainda circulando em grande quantidade nas ruas das cidades porque é preciso superar certos obstáculos tecnológicos. A autonomia de viagem ainda é limitada e o tempo de recarga é mais alto que o desejável. O peso e o tamanho da bateria, por sua vez, são pouco adequados. A escala de produção, por tudo isso, ainda não é competitiva. São desafios importantes, mas perfeitamente passíveis de superação diante do ritmo atual da evolução tecnológica. As montadoras de automóveis trabalham no desenvolvimento de carros com motor elétrico, as distribuidoras de energia testam os modelos existentes - e os consumidores ecologicamente responsáveis acompanham lançamentos e testes com atenção. Nessa corrida pela viabilidade do carro elétrico, o Brasil possui grande potencial para sair na dianteira. Usamos em larga escala a geração hidrelétrica, uma energia renovável e limpa, responsável por cerca de 80% da produção de eletricidade no país. Os impactos na atmosfera são mínimos. Além de contribuir sensivelmente para a redução de emissão de gases, a produção do carro elétrico em larga escala evitaria a poluição sonora. Uma solução como esta, no entanto, só sai do papel com a participação de vários agentes - setor privado, governo, concessionárias de energia, instituições de pesquisa e a própria sociedade. Na CPFL, testes com um Palio elétrico revelaram um automóvel capaz de gastar apenas R$ 9 para percorrer 150 quilômetros. Movido a gasolina, o mesmo carro gastaria R$ 35, quase quatro vezes mais, além de emitir gases do efeito estufa. As motos também apresentam desempenho promissor, consumindo apenas R$ 1 em combustível a cada 100 quilômetros rodados. Com energia muito mais barata que os padrões internacionais e os testes em andamento, o Brasil tem tudo para apresentar uma frota consistente de veículos elétricos em dez anos. Paulo Cézar Coelho Tavares Vice-presidente de Gestão de Energia da CPFL Energia

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