Já ouvi de vários se não ando com a impressão de que o mundo está girando mais depressa. Não acredito. Os astrônomos, com certeza, nos teriam alertado.
Mas, tenho absoluta certeza, as notícias circulam com velocidade de luz. A mídia escrita, falada e televisada nos alcança em qualquer lugar e a qualquer momento.
O que aconteceu há poucos minutos atrás, do outro lado do mundo, saberemos logo numa edição extraordinária do jornal na televisão. Para comparar: quando foi proclamada a república, quem vivia em Cuiabá, no Mato Grosso, levou três meses para saber. Lá, durante este tempo, ainda reinou o império porque a notícia não chegou antes!
Hoje já se torna difícil acompanhar os acontecimentos ou novidades no setor específico da atividade da gente. O que dizer então da introdução destas novidades na vida prática, no cotidiano da gente! Vale a pena, neste ponto, citar o Charles Darwin: “Não são os mais fortes da espécie que sobrevivem, nem os mais inteligentes, e sim os que melhor se adaptam a mudanças.”
Será que os acontecimentos em Franca, nos últimos tempos, não passam de mera coincidência? Dá o que pensar e se perguntar: como criar organizações ágeis que se adaptem à velocidade de mudanças mundiais? Como mobilizar e transformar em lucratividade, diariamente, a imaginação de cada funcionário? Como criar empresas atraentes para trabalhar?
As perguntas acima formuladas pela revista The Kinsey Quarterly, da consultoria Kinsey, vão ao âmago da questão: velocidade de mudanças, aproveitamento do elemento humano e criação de condições favoráveis a este aproveitamento. Não é tarefa fácil, mas também não é tão difícil como possa aparentar.
A mudança mais notável e a mais necessária é ter coragem de abandonar e reinventar o nosso modelo centenário de gestão. A abolição do modelo patriarcal representado pela figura onipotente e onisciente do patrão é o primeiro passo para consecução de um modelo de uma hierarquia nova, numa cadeia de pessoas igualmente empenhadas e interessadas em produzir resultados.
O velho modelo da gestão estava focalizado em como fazer com que as pessoas cumprissem suas metas. O novo modelo da gestão está interessado em como criar estruturas que despertem e inspirem criatividade e iniciativa. Com outras palavras, o elemento humano e seu comportamento são o diferencial entre sucesso e fracasso.
Até que ponto as nossas empresas se beneficiam dos profissionais de psicologia, ou de comportamento? Em grau mínimo, ou em grau zero. Quanto tempo ainda os empresários irão precisar para descobrir que o ativo intangível, representado pelos cérebros que povoam as fábricas, é o ativo real, insubstituível? É óbvio, nem todos os funcionários podem ser enquadrados nesta categoria. Mas aqueles que podem, devem ser conservados e tratados como algo muito especial. É das pessoas que têm a flexibilidade necessária para acompanhar as mudanças que dependerá o futuro da empresa!.
CRISE GLOBAL X EFEITO LOCAL
No último dia 5 o Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) apresentou o resultado de uma sondagem feita com empresários do setor na cidade, com intenção de avaliar as conseqüências da crise financeira para o setor. Eis alguns dos resultados: Produção afetada em 46% dos entrevistados, com redução de 15% da produção destas indústrias, na média; reajustes de preços na matéria-prima, sendo os mais expressivos o solado de borracha (7 a 15%), espuma (15 a 20%), forro sintético e composto de TR para solado (12%), ente outros; redução dos limites de crédito para empresas exportadoras atingiu cerca de 86% dos entrevistados e taxa de juros para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), que orbitava juros de 6 a 6,5% ao ano e agora apresentam índices de 18%.
RESTRIÇÕES REJEITADAS
Segundo informações da Agência Câmara, o projeto de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS) - que pleiteava restrições à exportação de couro bovino em estado bruto e wet-blue - foi rejeitado pela comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio dia 29. O pedido agora está nas mãos das comissões de Finanças e Tributação, de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário. Espera-se uma reviravolta na decisão, que beneficiaria diretamente o setor calçadista e de manufaturados nacional. Existem, porém, pressões opostas que alegam que a proposta não apresenta dinâmica suficiente para atender ao mercado de forma contínua.
OFICINA DE CRIAÇÃO DE FRANCA
A Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) e o SEBRAE-SP promovem a Oficina de Criação em Franca, que ocorre de 17 a 18 de novembro. Gratuita, a oficina é direcionada a todas as empresas do setor coureiro-calçadista da região e objetiva orientar os profissionais sobre a decodificação de tendências e desenvolvimento de materiais e coleções. A informação é do site da associação.
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.