O garoto Samuel Oliveira Teixeira, 1 ano e 5 meses, está internado em estado grave no CTI (Centro de Terapia Intensiva) infantil da Santa Casa por causa de uma forte pneumonia. Para a família, a situação só chegou a este ponto por causa de um diagnóstico incorreto feito pelos médicos do Pronto-socorro "Doutor Janjão". A criança foi tratada como se tivesse uma virose.
O drama envolvendo o garoto começou na noite de segunda-feira, 3. Pouco antes da meia-noite, Samuel começou a vomitar e a apresentar febre. Michel da Silva Teixeira, 19, e sua mulher, Taís, 21, correram com o filho para o PS. "O médico disse que era virose. Comentei que o intestino não estava solto e que poderia ser outra coisa, mas ele não deu atenção. Tudo lá no “Janjão”, agora, é virose. Receitou apenas uma injeção e nos mandou para casa", contou a mãe.
O medicamento não deu resultado. A criança continuou passando mal. Na quarta-feira, a mãe pediu para o médico da fábrica em que trabalha dar uma olhada no filho. Ele descartou a virose e disse Samuel estava com o peito cheio. Receitou um expectorante. Na quinta-feira, o menino voltou da creche com batedeira. Às 21 horas, foi levado novamente para o “Janjão”. "A médica disse que daria uns xaropes para associar com o medicamento que o médico da fábrica havia receitado. Daí, eu tive que mentir e falei que, como ele não fez a avaliação no consultório, falou que era para eu pedir um raio-x, pois suspeitava de uma coisa mais grave".
Com a mentira de Taís, a médica decidiu encaminhar a criança para o raio-x. De acordo com o pai de Samuel, o resultado do exame teria demorado a sair por causa de uma suposta comemoração de aniversário de um funcionário do “Janjão”. "Eles estavam fazendo uma festinha no fundo e cantando parabéns. Saíram limpando a boquinha de sujeira de bolo. Nosso filho passando mal e eles fazendo festa".
Quatro dias após a primeira consulta, o exame constatou uma pneumonia grave no menino. A médica o encaminhou para a internação na Santa Casa. Ontem, o estado de saúde de Samuel se agravou e os médicos o encaminharam para o CTI. Ele respira com a ajuda de um respirador artificial. O organismo do garoto não está reagindo aos antibióticos e ele deverá permanecer no local por pelo menos mais três dias.
Para o pai, a situação poderia ter sido evitada. "A culpa é da enrolação no sistema de Saúde. O médico do ‘Janjão’ fez um diagnóstico de olho. Se tivesse analisado com mais atenção teria descoberto o problema antes".
A mãe afirmou que o raio-x só foi feito depois que mentiu para a médica. "A gente tem que mentir e ficar se humilhando para conseguir ser atendida. Se eu não faço isto, meu filho poderia morrer em casa e eu ficar sem saber o motivo".
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