Um homem de boa aparência chega à casa de uma fiel, pede R$ 198 para comprar livros para uma conhecida igreja da cidade, citando inclusive o nome do padre. A mulher, católica, lhe dá o dinheiro. Em troca, recebe um recibo e o troco de R$ 2. Mais tarde, ela percebe que foi enganada. O golpe, que veio a público esta semana, faz parte de uma série de estelionatos que ocorrem na cidade.
A Polícia Civil não sabe ao certo quantos delitos deste tipo são aplicados na cidade. Numa pesquisa do Comércio, pelo menos 14 tipos diferentes de golpes foram identificados neste ano. Para os golpistas, criatividade é a palavra de ordem. Em um dos casos inusitados ocorrido em Franca, em agosto deste ano, um empresário emprestou mais de R$ 40 mil para um africano enquanto guardava para ele US$ 2 milhões em "notas pretas". O golpista usou da seguinte artimanha. Ele disse que compraria a casa da vítima, mas que ela teria que lhe emprestar "dinheiro brasileiro". Como garantia deixou papéis tingidos de preto dizendo que eram dólares, pintados para despistar a Receita Federal.
Outro tipo de golpe já aplicado que chegou a fazer pelo menos cinco vítimas foi o das ligações de um "cartório" de protesto em que o funcionário informa que o nome da vítima vai para o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) caso ela não deposite um valor em determinada conta. Com medo, as vítimas pagaram.
O preparo dos golpistas citado, para o delegado Wanir José da Silveira, responsável pelo Setor de Inteligência da Seccional de Franca, se encaixa no depoimento de uma profissional liberal que quase caiu no golpe do cartório, em agosto. Ela recebeu uma ligação em que a pessoa se apresentou como funcionário de um cartório de outra cidade e que, caso ela não depositasse R$ 580 em até duas horas, seu nome iria para o sistema de proteção ao crédito. "A forma sedutora que ela vai te convencendo a pagar me deixou impressionada. O que chamou a atenção é a forma que eles vão te conduzindo. Você pensa que é sério. Tem todo um esquema de passar linha, como se tivesse com um PABX. Eu fiquei muito impressionada".
Ela só percebeu que se tratava de um golpe por causa de um vacilo do estelionatário. "A deixa que ela (a atendente) me deu foi quando disse que a minha assinatura tinha sido avaliada pela Receita Federal. Aí caiu a minha ficha, a Receita nunca ia se dar ao trabalho de avaliar uma assinatura minha. Depois disso, disse que poderia colocar meu nome no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e tudo mais".
Para evitar as ações de golpistas, a orientação de Wanir é nunca acreditar em propostas em que a vantagem é sempre alta. "Nunca dê atenção a pessoas estranhas. Se ela oferecer algum tipo de vantagem, desconfie dessa pessoa e em qualquer dúvida, chame a polícia na hora para que a pessoa seja abordada para ver se ela está aplicando o golpe ou não".
Os outros golpes são mais conhecidos como o do bilhete premiado, o da senha de banco, o da venda de produtos fantasmas pela internet, o do telefonema de seqüestro de um parente próximo e os de mensagens premiadas no celular.
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