O fim de um pesadelo foi o início de outro tormento para moradores na divisa entre os bairros Vila Imperador, Parque São Jorge, Vila Guilherme e Jardim Barão. Após anos de reivindicações, a Prefeitura aterrou a voçoroca das Maritacas, instalou uma praça poliesportiva na Rua Emílio Bruxelas e cercou uma área equivalente a quatro campos de futebol - ladeada pelas Ruas Irênio Grecco, Emílio Bruxelas, Saturnino Fernandes e Jonas Rodrigues de Moura e pelas avenidas Doutor Hélio Palermo e Luiz Dompieri. A população, que havia se livrado de um problema, acabou se tornando, segundo denúncias, refém do tráfico de drogas.
Cansados, moradores das imediações da antiga voçoroca se uniram para denunciar. "A gente nunca imaginava que após o aterro o sonho fosse virar pesadelo", declarou RR, 28, cobrador, que nasceu e mora próximo ao local com a mãe, irmãos e sobrinhos. Ele pediu para não ser identificado com medo de represálias, a exemplo de outros moradores ouvidos no bairro. "A praça se tornou ponto de venda e consumo de drogas e o descampado em rota de fuga", reclama.
Uma dona-de-casa de 60 anos relatou que a qualquer hora do dia é possível flagrar pessoas fazendo uso de entorpecentes, seja na antiga área da voçoroca, seja nas calçadas das residências. "Muitas vezes tenho que pedir licença para passar pelos usuários que se aglomeram na porta de casa", desabafou a mulher.
Outra denunciante, uma pespontadeira, disse que não deixa os filhos saírem de casa para brincar na rua, temendo um possível aliciamento por parte do tráfico. "Tenho dois filhos adolescentes. A gente orienta, mas o medo fala mais alto e quando eles querem brincar, pego o carro e levo para o bairro onde morávamos até alguns meses atrás".
Crianças, segundo as denúncias, também estariam envolvidas com a venda e consumo. Um morador teria sido obrigado a se mudar do bairro por ter denunciado o crime e outro teve o veículo riscado pelo mesmo motivo. "Aqui todo mundo tem medo deles (dos traficantes). A `lei do silêncio` fala mais alto", desabafou uma costureira manual de calçados, que trabalha junto com o marido em casa para sustentar a filha desempregada e uma neta.
A reportagem procurou a polícia e a Prefeitura. A primeira revelou que tem conhecimento dos crimes e está apurando as denúncias. Já o município promete urbanizar a área após a canalização do chorume (leia mais nos links).
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