O Conselho de Leitores, órgão consultivo de análise e crítica criado pelo Grupo Corrêa Neves de Comunicação para monitorar a qualidade e a competência da informação que produz, teve reunião ordinária em 1º de novembro, na sede do Comércio.
O encontro marcou a posse dos doze conselheiros reeleitos em junho deste ano, para novo mandato. Também, agasalhou acalorados debates sobre as capas publicadas pelo jornal, o material sonoro levado ao ar pela Rádio Difusora, o conteúdo das revistas editadas pelo Núcleo de Projetos Especiais e do site www.comercioda
franca.com.br, desde julho.
O ponto alto do encontro foi a escolha do vencedor do Prêmio Sônia Machiavelli de Jornalismo, instituído para estimular e incentivar os profissionais do GCN à produção de material inédito que será publicado na comemoração dos 184 anos de aniversário da cidade, no final de novembro.
Durante a semana anterior os conselheiros receberam cópias dos sete trabalhos inscritos (Fernanda Bufoni, “Olhar estrangeiro - História de Franca passa pelos bancos da Barão”; Kilton Oliveira, “A Faculdade de Direito em pleno vapor”; Melissa Toledo, “Franca, uma cidade diferente e por isso, especial”; Nelise Luques, “Franca, o (pes)ponto do calçado”; Patrícia Paim, “Franca, mãe da região”; Paula Faciroli, “Franca sob o olhar dos idosos”; Valdes Rodrigues, “No escurinho do cinema”) e analisaram detidamente os textos.
No dia da reunião apresentaram suas manifestações por escrito e anunciaram seus votos pelo texto de Valdes Rodrigues, tornando-o ganhador de viagem a Las Vegas, nos Estados Unidos, para participar do encontro mundial de radiodifusores promovido pela NAB (National Association of Broadcasters), junto a diretores do GCN.
Em segundo ficou Fernanda Bufoni, que ganhou jantar de gala em restaurante da cidade. É bom que se diga que o embate só foi decidido com “voto de Minerva” de Tiago Monteiro Martins, mais jovem dos conselheiros.
Unanimemente ressaltaram a qualidade dos textos e do esforço de pesquisa empreendido pelos jornalistas. Manifestaram-se pela publicação de todos os textos.
A editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal, garantiu que os trabalhos estarão na revista especial que o GCN publica na ocasião do aniversário da cidade.
Sônia Machiavelli acompanhou tudo com emoção. Disse que “os esforços dos concorrentes em construírem textos inéditos no mesmo momento em que todo o grupo de profissionais do GCN se dedicava a 70 dias de trabalho pesado durante o período eleitoral, valorizou em muito o resultado final”. Considerou o projeto, vitorioso.
Dentre os conselheiros, um misto de preocupação, seriedade e alegria durante toda a votação. “Não julgávamos que o GCN nos entregasse uma responsabilidade de tal envergadura”, era a fala geral. Enganaram-se.
OS PRESENTES
Ana Célia de Freitas, Thaís Aparecida Machado, Marcos Donizete de Souza, Tatiana Cristina Venuto, Carlos Eduardo Gimenes de Matos, Camila Beghelli Schirato, Dinamar Lacerda Domiciano, Tiago Monteiro Martins, Rosa Santa Batista, Luiz Eduardo Marques Ferreira estavam a postos. Marco Aurélio Piacesi e Sérgio Coelho Lanza enviaram e-mails e justificaram ausências. Sônia Machiavelli, diretora do Conselho de Administração; Joelma Ospedal, editora-chefe do Comércio; Everton Lima, diretor da Rádio Difusora, e Luiz Neto, gestor de Relações Corporativas, coordenaram.
‘POR QUE DEMOROU?’
Luiz Neto falou sobre os motivos que levaram o GCN a não agendar reunião por quatro meses: “a dedicação da redação integrada do Comércio e Difusora à presença na Francal, em julho; Fenafic, início de agosto; FCA, em setembro; cobertura ao processo eleitoral de 15 cidades, por 70 dias”. Na seqüência, o primeiro tema, que prometia: violência!
‘DIMENSÃO EXATA’
Assassinatos cometidos por menores, o caso “Kênia Bazon”, a tragédia da Rua Ouvidor Freire; os acidentes com mortes no trânsito urbano e nas rodovias da região. Os conselheiros recomendaram manutenção da fislosofia do GCN: divulgar o fato com rigor e dar a palavra a todos os envolvidos. Duda considerou respeitosa a cobertura à tragédia da Ouvidor Freire. Marcos Donizete concordou: “o jornal deu a dimensão exata do caso, respeitando os envolvidos”. O grupo também considerou adequado o trabalho da edição de fotografia, que tem preservado os leitores de detalhes visuais trágicos.
‘MAIS FUNDO’
A falta d’água que assolou a cidade em julho e a forma com que o Comércio e a Difusora se dedicaram a retratar o assunto foram analisadas na seqüência. Rosa Santa deu o tom: “fomos condescendentes com a Sabesp”. Ela queria que a empresa fosse mais cobrada. Primeiro, porque “a estatal deixou de avisar a população sobre os problemas que estavam por vir”. Depois, “quando criou mecanismos para não conceder os descontos que disse que daria. Acho que a empresa respirou aliviada!”. Thaís disse que ficou satisfeita com o tom da cobertura. “Tinha sempre informação onde buscar água. Os infográficos indicaram exatamente onde estavam os problemas que produziram a falta d’água. Os textos mostraram as tristezas da população mas também os esforços dos funcionários da empresa em solucionar”.
POLÍTICA ESSENCIAL
A cobertura do período eleitoral foi considerada pelo grupo como “grandioso e correto trabalho jornalístico”. Marcos Donizete disse que nem precisaria haver “tanta preparação do GCN, porque, na verdade, não houve eleição. Não houve candidato competente. Foi a reeleição do candidato, só”. Duda disse que “tendo em vista não haver confronto em Franca, o GCN deveria ter ido em busca dos conflitos nas cidades da região”. Considerou, ainda assim, “essencial o conhecimento sobre os candidatos, proporcionado pelas sabatinas e debates”. Thaís ressaltou o papel pedagógico das “Gazetilhas” do jornalista Corrêa Neves Jr., capazes de “ensinar política a quem quisesse aprender”. Ana concordou: “as Gazetilhas e a cobertura com um todo ajudaram a formar a nova Câmara”.
NOVOS CADERNOS
Os novos cadernos de Turismo, Concursos, Classificados (Mercado Imobiliário, Automóveis, Empregos) e a mudança de dia da semana (domingo para sábado) do Nossas Letras, foram apresentados por Joelma Ospedal, editora-chefe do Comércio. Houve unanimidade: “válidos, esclarecedores, valorizam e agregam mais conhecimento, demonstram compromisso com a diversificação e atende a mais nichos de leitores”. Só não houve concordância com a modificação de dia do Nossas Letras. “Reestudo já!”, determinaram os conselheiros.
SEM IMAGENS
Um bloco da reunião se prestou à discussão de manchetes. Joelma apresentou capas com títulos sobre assuntos econômicos aplicados ao dia-a-dia da cidade; outras, com chamadas sobre colocações da cidade em pesquisas nacionais e estaduais, “nem sempre positivas” (“a primeira do País em registros de ocorrências com drogas envolvidas” a exemplo) e mais algumas, contendo o resultado do trabalho de análise sobre números alcançados por escolas de Franca, em confronto com cidades de populações similares. Tais manchetes ‘apesar de não admitirem informações visuais que possam chamar a atenção dos leitores, permitem posicionamento de setores da economia ou dos negócios”. Duda foi taxativo: “o jornal precisa ser muito visual. Continuo vendo primeiro as informações visuais. Se me agradam, vou mais fundo”. Camila deu outro tom: “se não existem matérias que possam conter informações visuais e o jornal precisa da manchete, que sejam construídas sem imagens. O assunto, neste caso, precisa ser muito bom”.
AINDA, MANCHETES
E o assunto acabou se esticando. Um vendaval de opiniões contrárias ao “Fique esperto – Sábado é dia de roubar carro”, publicada exatamente no dia da reunião do Conselho, tomou conta do encontro. Joelma explicou que a manchete escolhida foi exaustivamente discutida entre os editores. “Precisávamos comunicar o resultado da análise das estatísticas da Polícia Militar sobre os dias em que se registram mais ocorrências de furtos e roubos. Não havia muitas formas de dizer que o sábado era este dia. Optamos por construir um título com “chapéu” (pequena chamada que se sobrepõe ao título principal) que lançasse o leitor a ficar alerta. A manchete, em si, pretendia apenas fazer constatar o problema indicado pela análise das estatísticas”. Os conselheiros não “perdoaram”: “Não dá. Fica parecendo que o jornal convida a furtos ou a roubos”. Ouvimos. Anotamos. Vamos atentar.
FILOSOFIA
O diretor da Rádio Difusora, Everton Lima, foi sabatinado pelo grupo sobre a cobertura da tragédia da Ouvidor Freire, quando Hélder Massucato Rezende matou a mãe, atirou na mulher, nos três filhos e depois, se matou. Comentou sobre as fórmulas adotadas pelo veículo para chegar rapidamente ao local onde os eventos ocorreram. “Mandamos ao ar o que os profissionais experientes da Difusora nos enviam, tudo ao vivo. A possibilidade do erro existe sim, mas também há a determinação de checar e rechecar tudo, a cada segundo. A filosofia de trabalho da Rádio Difusora é rigorosamente igual à do Comercio da Franca: erros, se ocorrerem, precisam ser corrigidos imediatamente”.
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