Maria Aparecida Rosa, 56, mais conhecida como "Cida", nasceu em Igarapava, na região de Franca. Depois de casada, passou a morar com o marido e os dois filhos pequenos na zona rural de Buritizal. A vida era tranqüila, mas a falta de trabalho e a preocupação com o futuro dos filhos levou o casal a tomar uma decisão: trocar a roça por uma cidade grande, onde houvesse oportunidade de emprego.
Escolheram Franca, para onde vários amigos de infância já haviam se mudado. "Um conhecido nosso estava trabalhando em uma fábrica de calçados e arranjou uma vaga para o meu marido. Então, nós vendemos os animais da fazenda e pegamos a estrada", contou Cida.
O começo não foi fácil. "Pagamos aluguel durante um ano. Nesse período, juntamos algum dinheiro, compramos um terreno e iniciamos a construção da casa. Quando ela estava levantada, a gente entrou". Além do marido, Cida também conseguiu emprego em uma fábrica de sapatos. A filha, Ana Cláudia, foi doméstica e mais tarde passou a trabalhar em um supermercado. "Foram muitos anos de luta", diz Cida, que até o ano passado era costureira. Mas, para ela, valeram a pena. "Nossa, eu realizei um sonho. Foi uma vitória muito grande. Hoje eu tenho minha casa, meu carro, meus filhos estão encaminhados. Onde eu morava não tinha perspectiva de nada".
Na época em que Cida se mudou para Franca com a família, um dos fatores decisivos foi a propaganda que se fazia da cidade, tida como uma "terra próspera". "A gente ouvia falar muito de Franca, que aqui tinha emprego, que a vida era boa. Por isso viemos para cá".
Até hoje, o "boca-a-boca" é o que mais atrai migrantes para a cidade, de acordo com o vice-prefeito e coordenador do Neplaf (Núcleo de Estudos e Planejamento de Franca), Ary Balieiro. "Franca é vendida lá fora como um lugar que cresce a cada dia, que oferece qualidade de vida. Os investimentos que chegaram nos últimos anos reforçam esta idéia. As pessoas vêm para cá com esperança".
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