A projeção de crescimento populacional de Franca para os próximos dois anos preocupa. Segundo um estudo feito pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), a cidade vai ganhar, nos próximos 24 meses, 10.832 novos habitantes. Destes, pelo menos, 4,6 mil (40%) serão migrantes (pessoas que são de outras cidades e decidem se mudar para Franca).
O fato chama a atenção dos especialistas. Para eles, o município não está preparado para receber tantas pessoas. O alerta vem também do poder público, que teme o impacto que os novos habitantes causarão sobre os serviços essenciais, como saúde e transporte, além do aumento do déficit habitacional.
O próprio vice-prefeito e coordenador do Neplaf (Núcleo de Estudos e Planejamento de Franca), Ary Balieiro, não parece muito otimista em relação ao futuro. "Minha experiência diz que é impossível conseguir dotar a cidade da infra-estrutura necessária".
Em média, todos os anos, chegam a Franca 7 migrantes para cada grupo de mil habitantes. De acordo com a demógrafa do Seade e responsável pelo cálculo, Sônia Perillo, este é um dos motivos que levam o município a figurar entre os que mais crescem no Estado.
Até 2010, estima-se um acréscimo de 3,26% no número de moradores. O percentual é maior que o de cidades paulistas de porte semelhante, como Jundiaí (2,17%) Piracicaba (2,45%) e São Vicente (1,86%). Para se ter uma idéia do que ocorre em Franca, um país desenvolvido, como a Austrália, deve crescer apenas 1,6% em dois anos.
Dentro deste cenário, estudiosos destacam um fenômeno que pode ser positivo: o perfil das pessoas que deixam suas cidades para fixar moradia em Franca vem mudando nos últimos anos. É o que afirma o economista Hélio Braga, coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef.
Segundo ele, ao invés de trabalhadores sem qualificação, que vêm em busca de emprego no setor calçadista ou nas fazendas de café, a cidade passou a receber um maior número de profissionais com bom nível de formação. Este contingente estaria sendo absorvido pelos setores de comércio e serviços. "Houve muitos investimentos nos últimos anos. O calçado ainda tem grande força, mas a economia hoje está bem mais diversificada", disse Hélio.
Mas, para o vice-prefeito, este fator não é atenuante, mas apenas um dado a mais para ser analisado. "O maior problema é a velocidade com que a população tem aumentado. Nós não recebemos migrantes da classe A, e sim das classe B, C e D. A demanda por serviços públicos vai sofrer um inchaço significativo".
O risco de favelização é outro fantasma que assombra a administração. "Temos que tomar muito cuidado, porque as pessoas vão chegando, montam uma barraca em área de preservação ambiental e em pouco tempo acaba se formando uma favela", disse Ary.
Para o geógrafo Emanuel Martins dos Reis, Franca tem conseguido enfrentar o problema. "A Prefeitura está agindo de maneira preventiva, o que é fundamental", afirmou o geógrafo, que aponta a especulação imobiliária como um dos piores efeitos do grande fluxo migratório. "Os terrenos ficam muito mais caros e isso acaba dificultando as políticas habitacionais".
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