Bananas com merengue


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Bananas, há muitas: maçã, prata, ouro, da terra, são tomé, marmelo, figo, francesa, chinesa, roxa, branca, passa, rainha... E a mais comum na nossa região, a nanica, que cariocas chamam caturra e nordestinos d’água. Integra pratos doces e salgados, de norte a sul do país: com queijo, açúcar e canela, sobremesa apelidada pitorescamente de “capote” na região fluminense; com peixe, sal e pimenta no célebre prato principal “azul-marinho” do litoral caiçara. Fruta diferente, pois ao contrário da maioria não tem semente, ela está integrada no imaginário nacional já a partir das canções populares. Braguinha compôs o Yes, nós temos banana/ banana pra dar e vender/ banana menina/ tem vitamina/ banana engorda e faz crescer. Gerações de carnavalescos cantaram nos bailes este estribilho. Carmen Miranda imortalizou-se no cinema com a sua versão histriônica da Chiquita Bacana lá da Martinica que se vestia com uma casca de banana nanica. A moça, que além de tudo era existencialista (com toda razão!), não usava calção só pra rimar com verão... Mas se como personagem provinha de uma ilha do Caribe, a banana também viria de lá? Muita confusão a respeito e nenhuma certeza. Pensava-se numa origem árabe, via norte da África, onde os muçulmanos permaneceram por oito séculos. Banãna em árabe significa dedo. Por analogia com a forma, até poderia ser. Mas os árabes não nominam o fruto como banãna, chamam-no mauz, substantivo encontrado também no léxico brasileiro do norte do País, regiões da Amazônia e do Amapá. Complicado, como se vê, chegar pela etimologia à origem da espécie vegetal... Nem os dicionaristas elucidam o verbete. Quando menina, eu freqüentava a casa de uma família italiana cujos ancestrais tinham aportado no Brasil em porão insalubre de navio, viagem marcada por muitos sofrimentos. Toda a gama de privações que passavam os imigrantes poderia ocupar aqueles relatos. Entre eles, alguma graça no recontar que os imigrantes não conheciam bananas e ao serem apresentados a elas na Ilha das Flores, no desembarque no Rio de Janeiro, achavam que o consumível era a casca e não o miolo... Talvez por isso por muito tempo considerei que banana só no Brasil. Não era verdade. Faz muito tempo que ela é o quarto alimento mais produzido e consumido no mundo, depois do trigo, do arroz, do milho. Também me deixava curiosa que a maior das bananas fosse chamada nanica, um adjetivo para designar coisas miúdas. Demorou para que me explicassem que nanico era o pé! Estou falando de bananas porque uma gentil leitora, Maria Elisa Toledo Martins, mandou-me um doce muito gostoso, que tentei reproduzir a partir de sua receita, publicada hoje neste espaço. Fácil, prática, leve, de bonito efeito visual. Comece caramelizando o açúcar. Junte o leite de coco, deixe a calda engrossar. Corte as bananas em rodelas finas e distribua-as sobre a calda. Cozinhe por um minuto. Despeje em um pirex ou forma refratária. Reserve. Faça o creme. Dissolva a maisena no leite. Passe as gemas por peneira para retirar a película que as envolve. Reúna o leite condensado, as gemas, o leite com a maisena e leve ao fogo, mexendo sem parar até engrossar. Retire do fogo, junte manteiga e baunilha, misture bem. Coloque o creme sobre a compota de bananas. Numa tigela misture as claras com o açúcar e aqueça em banho-maria até amornar. Coloque na batedeira junto com raspas e suco de limão. Bata até obter um ponto de merengue firme. Cubra o creme . Leve ao forno por cerca de cinco minutos ou até o suspiro dourar levemente. Deixe esfriar, leve à geladeira por uma hora no mínimo antes de servir. Veja curiosidades e dicas sobre a banana e compotas no Blog Receitas da Sônia: http://gcnreceitas.wordpress.com

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