Diálogo sobre o calçadão


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Algumas ruas do calçadão central de Franca estão perdendo suas características e hoje configuram áreas de risco à circulação de pedestres. O Alexandre Fischer, que de quando em quando atua como meu interino nesta coluna, abriu conversa comigo esta semana sobre os calçadões do Centro da cidade e a proximidade do fim do ano. Estava bravo e preocupado. Perguntei-lhe o que havia acontecido. Ele abriu alguns números, tomou fôlego e se pôs a explicar: “Estive há alguns dias exercitando paciência diante de um edifício de consultórios médicos na Rua do Comércio, aguardando a chegada do profissional médico com quem agendei consulta de plano privado. Como não chegam na hora aprazada - quase uma praxe! - a gente precisa encontrar algo para fazer. Coloquei-me a observar o intenso trânsito de veículos carros, caminhonetas, utilitários e motos pelo trecho de calçadão que muitos usam para cortar caminho entre o Correio e o Centro”. E prosseguiu, como se estivesse matutando sozinho: “Corrija-me se tiver informação melhor que a minha, mas no meu entender, calçadão é derivação de calçada que, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é um caminho calçado ou pavimentado, destinado à circulação de pedestres, quase sempre mais alto que a rua em que trafegam os veículos”. Sempre detalhista, o Alexandre. Não deu a definição de memória. Estava com o Houaiss debaixo do braço. Quando fica bravo, arma-se do que estiver à sua frente. O dicionário é grande e pesado. Não contestei, claro... E ele continuou: “Eu era jovem na época, mas ainda me lembro das acaloradas discussões entre entidades de classe, comerciantes e moradores da região com a Prefeitura, quando foi aprovado o fechamento das ruas centrais. Ganhou o senso de preservação da integridade da população em seus momentos de compras e lazer e o calçadão começou a tomar forma. Recordo-me também que dessas discussões brotou um acordo: moradores e usuários de estacionamentos em áreas internas ao calçadão teriam o direito de circular com seus veículos pela área dos pedestres. Também veículos de entregas continuariam a ter acesso às lojas em determinados horários”. Tem razão o Fischer. Também acompanhei a discussão. Aliás, vou mais longe: a implantação de um calçadão no Centro estava no projeto de diagnóstico de Franca, feito no fim dos anos 60 pelo grupo GPI, conduzido pelo ex-ministro Sérgio Motta quase o ocaso da gestão do ex-prefeito Hélio Palermo. Ficou com o sucessor, prefeito José Lancha Filho, a implantação ou não, mas só acabou saindo em meados dos anos 80, com o prefeito Ary Balieiro. Alexandre prosseguiu: “Como eu tinha tempo de sobra e pouco a fazer, contei os veículos que trafegaram ali: 26 motocicletas e 37 carros (veículos particulares e de entregas) em menos de uma hora!!! Por alto, mais de um veículo por minuto passaram naquele quarteirão que qualquer pedestre leva ao menos 2 minutos para atravessar. Em raciocínio tosco, naquela hora da manhã de uma quinta-feira, cada pedestre que por ali passou dividiu seu espaço com dois veículos. Não me dei ao trabalho de pesquisar mas acredito que poucas ruas da cidade apresentam um trânsito tão intenso”. Meu interino, neste ponto da conversa, estava apoplético, avermelhado. Pedi-lhe calma, paciência. Perguntei se tinha observado motoristas ofendendo transeuntes ou ameaçado alguém, já que as cartas que publico na página A-2 do Comércio vira-e-mexe, falam das poucas habilidades e da falta de educação de boa parte dos motoristas francanos. E ele: “É justo dizer que a maioria dos motoristas parece saber que aquele espaço destina-se ao pedestre. Mas como a regra neste Brasil é exercida pela minoria e a exceção é sinônima de esperteza, presenciei barbáries de veículos em velocidade incompatível, outros fazendo entregas de passageiros na porta de agências bancárias, buzinas acelerando o passo de transeuntes e até um ligeiro estranhamento entre um pedestre e um veículo sobre quem poderia ficar parado sobre o calçadão. Ganhou o veículo!” Compreendi. Alexandre grita porque acha que haver fiscalização mais pesada por ali, até por prevenção. E também acha que ninguém vai mover uma palha, neste sentido. “Certamente, Luiz, este ano teremos mais gente e mais carros transitando ali, do que tivemos ano passado. Crianças e idosos, também”. Está certo, o Fischer e faço eco às suas observações. É preciso planejar a felicidade e prevenir a ocorrência de acidentes. No calçadão e nas cabeças de motoristas. Aos bons basta lembrar. Aos que usam os espelhos retrovisores apenas para pentear os cabelos... ACIDENTE EM CALÇADA GERA INDENIZAÇÃO O juiz Paulo Márcio Soares de Carvalho, da Quarta Vara Especializada de Fazenda Pública de Cuiabá (MS), condenou a prefeitura da cidade a indenizar um cidadão que sofreu um acidente na Avenida Dante Martins de Oliveira, por causa de um buraco na calçada. Segundo consta no processo, o município deverá pagar R$ 15,2 mil a título de danos morais ao cidadão. A prefeitura paga as contas pela má fiscalização. INFRAÇÃO PESADA Segundo o terceiro sargento Ranuzzi, supervisor do policiamento de trânsito de Franca, não houve qualquer acidente registrado envolvendo veículos nos calçadões da cidade, porém alguns infratores abordados no local (transitando fora do horário permitido ou em locais impróprios) levam boas recordações: multa de R$ 574,62 (infração gravíssima) e 7 pontos na carteira. Se não pela responsabilidade, vale dirigir certinho pelo bolso. (APF) Luiz Neto Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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