A greve da Polícia Civil, iniciada em 16 de setembro, tem afetado diretamente as auto-escolas e despachantes que necessitam da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) para, entre outros serviços, licenciar veículos e emitir CNHs (Carteira Nacional de Habilitação). A queda no faturamento, segundo as associações representativas, já chega a 60%. Os primeiros reflexos já são sentidos, com estabelecimentos fechando as portas e funcionários - sem serviço - entrando em férias.
O presidente da Associação das Auto-Escolas José Prado Souza, 52, o “Zezinho”, disse que 11 empresas do ramo encerraram atividades nos últimos dois meses. Embora ele não afirme que fecharam exclusivamente por conta da paralisação, associa o movimento à situação.
Segundo a associação, a renovação de uma CNH, por exemplo, que demorava de quatro a sete dias, está sendo feita em um período mínimo de 20 dias. “Essas auto-escolas já passavam por dificuldades antes da greve. Quando chegou a greve elas fecharam, não deram conta. E se continuar desse jeito fechará mais um punhado”, disse.
A preocupação não é infundada. O aluno que concluir o curso de formação de condutores - um dos primeiros passos para tirar a CNH - este mês, pode esperar até o início do próximo ano para realizar o exame escrito. Com isso, uma única auto-escola tem 120 processos parados.
Os despachantes também enfrentam problemas. Até a última semana, a associação que representa o segmento na cidade mantinha um quadro de funcionários no prédio da Ciretran - cujo número de servidores é insuficiente para absorver a demanda - para auxiliar e agilizar o andamento dos processos.
Na quinta-feira, todos foram retirados por ordem do presidente da associação, José Carlos Leite Gonçalves, 42. Ele deu férias aos sete empregados e justificou a medida com a paralisação dos processos. “Não dá para mantermos uma equipe como esta sem ter trabalho”, disse, no dia, à Rádio Difusora.
Os principais serviços prestados pela categoria são licenciamentos e transferências de veículos e na primeira etapa para os dois procedimentos - a vistoria - os funcionários, todos policiais civis, estão trabalhando em um ritmo muito aquém do costumeiro. De acordo com a associação, há a procura do cliente e o processo é iniciado, mas pára na Ciretran. Com isso, os despachantes não recebem por seus serviços.
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