Morreu no sábado, primeiro de novembro, Walter Jardini, um dos mais populares barbeiros francanos. Ele foi internado no Hospital do Coração na quinta-feira, 31 de outubro, em virtude de um infarte do miocárdio. Permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva até as primeiras horas do sábado, quando foi a óbito.
Teve casamento de mais de 50 anos com Neuza Maria Goulart Jardini. Foram pais de Walter Antônio, casado com Cida, residente em Canoas, no Rio Grande do Sul e Luiz Hen-rique, casado com Silvia. Destes casamentos nasceram cinco netos: Issamara, Amanda, Walter Neto, Thuany e Igor.
Walter iniciou sua vida profissional muito cedo, ao lado dos irmãos. Foram proprietários de um dos mais tradicionais bares da cidade, o Caiçara, estabelecido por décadas à rua Marechal Deodoro, na região central, local onde se reunia a juventude estudantil e formadores de opinião da época, para trocar impressões sobre os fatos políticos e sociais do dia.
Em 1973 vendeu o bar e montou barbearia na sede do Sindicato dos Bancários, que funcionava na Travessa Archetti. O espírito sempre alegre e o modo agradável de lidar com as pessoas lhe garantiram ampliar ainda mais seu círculo de amizades, na nova atividade.
Segundo Paulo Nocera, secretário geral do Sindicato dos Bancários, “Walter tornou-se patrimônio da entidade. Exercitou seu trabalho por mais de 35 anos e trabalhou, inclusive, na semana em que sofreu o infarto. Freqüentaram seu salão três gerações de clientes. Vamos sentir falta da saudação que fazia aos clientes que passavam na porta do sindicato e gritavam. Ele ia à janela e dizia um ‘ooopsss’, que ficará para sempre guardado na saudade dos que o conheceram”.
Afora o trabalho, Walter gostava de pescar. Seu companheiro inseparável era o filho Luiz Henrique. Ultimamente, iam à represa do Castelinho. Antes, na ponte velha do Rio Sapucaí. São conhecidas as “estórias” de Walter: ele garantia que tirava “grandes, imensos” peixes da represa, mas os amigos e freqüentadores do salão, como Vanderlei Cintra Ferreira, Nadim Acari, Rui Pieri, Emílio Bruxelas, Carlos Lima garantiam sempre que “não eram tão grandes assim. Aliás, eram pequenos, bem pequenos, pequenininhos...”. Sem exceção, estão entristecidos com a partida de Walter “barbeiro”.
Foi pai exemplar e avô dedicado. Luiz disse ao Comércio que “em nenhum momento o pai deixou de pregar o valor do trabalho a ninguém. Como fazia o que gostava, nos aconselhava a que também procurássemos nos dedicar a atividades que nos fizessem felizes”.
Também contou sobre o cuidado que o pai teve em não permitir que contassem à sua mulher o agravamento de seu quadro clínico. “Foi cuidadoso e carinhoso com ela até não haver mais nada que pudesse salvar sua vida. Cumpriu sua missão e se vai como personagem da história da cidade”.
Foi velado no São Vicente de Paulo e sepultado no dia primeiro de novembro no Cemitério da Saudade. Ontem, sexta-feira, foi celebrada missa por intenção de sua alma.
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