Se alguém imagina que Ilha da Fantasia é só para crianças e, portanto, não existe, pode mudar seu pensamento. Existe sim e acreditem, é para adultos. Estou em Dubai (Emirados Árabes) participando de uma feira de calçados e presenciando essa realidade.
Dubai é o ápice das possibilidades que o capital promete, mas expõe também as diferenças existentes entre as nações e a falta de oportunidades existentes em determinados países da região. Explico.
A cidade possui cerca de 1,7 milhão de habitantes e apenas 20% são nativos. Tem, ainda, uma população flutuante de mais de 3 milhões de pessoas. Em períodos de férias, essa população chega tranqüilamente aos 5 milhões.
Devido à forte característica de cidade cosmopolita e à constante expansão da estrutura de comércio e serviços, recebe diariamente trabalhadores da Índia, Paquistão, Bangladesh e Filipinas. Fazem o serviço pesado e os nativos apenas administram e usufruem da riqueza. Recebe, também, trabalhadores qualificados. Para se ter uma idéia, só a Emirates Airlines (Companhia de Aviação do País) tem 90 pilotos e dezenas de comissários de bordo, brasileiros.
Dubai começou como uma pequena vila de pescadores. Em 1830 foi conquistada por uma tribo árabe mais poderosa, chamada Bani Yas e, a partir de então, tornou-se um dos mais importantes ‘Souk’ (mercado) de todo o Oriente Médio, com predominância de mercadores iranianos. Em 1966, com a descoberta de petróleo, todo o país (Emirados Árabes Unidos) passou a vivenciar rápido desenvolvimento econômico, com destaque para a cidade. É uma cidade de várias línguas onde o inglês predomina, mesmo entre os habitantes nativos.
Canteiro de obras, é show permanente de arte moderna e tecnologia. Há, aqui, alguns ícones conhecidos internacionalmente como o Burj Al Arab, auto nomeado como o único hotel 7 estrelas no mundo; o Burj Dubai, edifício mais alto do mundo e em construção; o Emirates Mall, maior shopping do mundo, com uma pista de esqui em pleno deserto; o Atlantis on the Palm, condomínio de ilhas em forma de palmeiras; o Wafi Shopping, o mais caro do mundo e com arquitetura egípcia, aparentemente tudo com dias contados. Novos projetos são superá-los, certamente.
Mas, nem tudo é perfeito. O sistema de transporte é um absoluto caos. Para dirigir precisa-se de muito tempo de prática. O trânsito é muito rápido, lotado de veículos. A cidade falhou, e muito, no planejamento de trânsito. Há pouco transporte urbano, sempre lotado. Os táxis são baratos, em carros modernos e confortáveis, mas dirigidos por paquistaneses e indianos, na maioria, sem paciência, mal-educados. E a quantidade de táxis não é suficiente para atender à demanda. Para minimizar, estão construindo um fantástico metrô a céu aberto, que ajudará, significativamente.
É um lugar que merece ser visitado. No aspecto cultural são poucos os museus (apesar de toda a história da região). Começa a se esforçar para preservar remanescentes da sua história secular, como o bairro Bastakia que tem um labirinto de casas árabes antigas dotadas de torres de vento.
Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário
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