Na semana em que se comemoram os vinte anos da nossa Constituição, ressuscitou-se, mais uma vez, o polêmico tema - reeleição.
Dessa vez gente graúda que apóia o atual governo foi à mesa para tentar produzir consenso sobre a necessidade de se acabar de uma vez por todas com a possibilidade de reeleição para cargos executivos.
Conversa vai, conversa vem, os argumentos são sempre os mesmos - “não é justo que alguém ocupando um cargo executivo concorra à eleição tendo nas mãos a caneta e o poder do cargo em disputa, é praticamente desleal”.
Ora, disso nós já sabíamos e há muito tempo. Num país de práticas políticas nem sempre lícitas, é óbvio que o direito a reeleição cria precedente para situações inusitadas, injustas e desleais.
Ao longo dos anos em que a reeleição tornou-se uma realidade no Brasil, não foram raras as vezes em que percebemos o desvirtuamento do processo democrático. A máquina administrativa usada em favor de uma reeleição é sem dúvida nenhuma uma realidade nem sempre possível de ser fiscalizada e muitas vezes, apesar de reiteradas denúncias por parte de opositores, é compreendida como perseguição política.
Portanto, repensar o direito à reeleição no Brasil, diante do atual cenário de práticas políticas é uma decisão louvável, porém, perturba-me uma questão em especial: por que só pensaram nisso agora? Depois de dois mandatos de FHC e dois de Lula? Por que só agora com o aparente amadurecimento do eleitorado pensa-se em promover um “amplo debate político e democrático” sobre a lisura do direito à reeleição? Porque só agora, mudar a regra do jogo novamente? Quem estaria sendo prejudicado pelo atual modelo? Quem se beneficiaria com a novidade em estudo?
Os adeptos da teoria da conspiração já andam dizendo aos quatro ventos que a idéia é criar uma nova legislação eleitoral que favoreça a re-reeleição de Lula, por exemplo. Alguns mais criativos afirmam que acabando com o direito a reeleição Lula voltaria ao poder mais rapidamente, já em 2014.
Outros por sua vez defendem que reeleição não é bom pra ninguém, nem para o povo, nem para o político e nem para os partidos. Dizem alguns que em geral o segundo mandato é muito ruim, sem brilho, sem força política. Algumas experiências mostram que isso não é de todo mentira.
Aparecem então os que são contra a reeleição, mas que acham quatro anos um tempo muito curto para se realizar projetos importantes, e que muitas vezes não é possível dar continuidade a políticas públicas de longa duração se a cada quatro anos o Executivo é ocupado por gente diferente, por partidos diferentes e por interesses diferentes.
Surgem então os defensores da ampliação do tempo de mandato e do fim da reeleição. Fala-se em cinco anos, outros em seis. Mas, se quatro anos é muito tempo para se suportar a administração de um governante incompetente, imagine só cinco ou seis anos então.
Diante de tantas nuances a importância do tema parece merecer mais espaço, mais discussão, maior participação da sociedade, da mídia e principalmente das entidades civis constituídas.
Talvez neste momento em que se avizinha uma eleição majoritária para presidente e governadores o tema pareça pouco relevante, mas se analisado sob a ótica da eleição municipal, o assunto pode e deve ser estudado e debatido, afinal de contas, o direito à reeleição nas prefeituras é benéfico ou não para a cidade? Quatro anos é tempo suficiente e suportável seja qual for a competência do político eleito?
‘DELIRIUS POLITICUS’
Para quem gosta de política e de texto no melhor estilo teoria da conspiração, uma boa dica de leitura são os artigos publicados no site “mídia sem máscaras”. Nesta semana a maioria dos artigos publicados trata das eleições nos Estados Unidos. Especializado em temas polêmicos o site revela algumas teorias sobre a eleição de Obama para presidente daquele país. Delírios e mais delírios.
DIA DE ROUBAR CARRO
Algumas pessoas me pararam na rua, outras me telefonaram para expressar sua opinião sobre a manchete de capa do Comércio da Franca de sábado passado. A maioria se mostrou incomodada com o texto que na opinião de alguns pareceu incentivar o ato criminoso. Longe de ser uma apologia ao crime, a mim a manchete parece ser apenas a síntese da matéria. Mas fica registrado que teve gente que não gostou nadinha, nadinha.
MAROLINHA 1
Apesar das reiteradas afirmações de gente do governo de que a crise mundial, se chegar ao Brasil, não será nenhuma tsunami, não passando, portanto, de uma marolinha, o que se ouve por aí é bem diferente. Alguns setores, o varejo, por exemplo, amarga em outubro significativa redução no ritmo das vendas. Alguns empresários citam números próximos a 20%.
MAROLINHA 2
Movimentos da equipe econômica parecem ir na contramão do discurso. Essa semana foi a vez da indústria automobilística bater às portas do baú da velha viúva. Preocupada com a retração nas vendas pela escassez de crédito o poderoso setor automobilístico revela que seus sucessivos recordes de venda nunca foram fruto de uma economia real, mas sim de uma fantasiosa e perigosa jogatina de crédito de longo prazo.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.