Todo mundo conhece aquela famosa frase: tá nervoso, vai pescar". O dentista francano Cairo Rodrigues Luz, 56, é uma dessas pessoas que utilizam a pescaria para esquecer do estresse do dia-a-dia. A semana é de muito trabalho e, sempre que pode, o dentista vai para Rifaina onde tem um rancho. Mas Rodrigues não é adepto da pescaria com varinha. Há 20 anos, ele descobriu a pesca com arpão e não parou mais de praticar. Fez cursos para conseguir aperfeiçoar a respiração e, com isso, passar mais tempo embaixo d`água.
Com a represa Jaguara como "quintal", se está com vontade de comer um “peixinho” é só pular na água com o arpão e, em pouco tempo, sai com o jantar na mão. O companheiro de pescaria de Cairo é o engenheiro químico Guilherme Salomão Polo, 33, que mora em Franca, mas está sempre em Rifaina. Salomão começou a pescar há seis meses. Hoje os dois estão tão craques na pescaria que preferem pescar à noite. A lanterna ajuda a iluminar embaixo d`água. "À noite, os peixes estão mais calmos e não fogem com tanta facilidade".
A dupla chega a ficar até 3 horas pescando. Como neste tipo de pesca não pode usar cilindro por conta dos peixes, os pescadores precisam conseguir respirar embaixo d`água. "Como sou fumante, não consigo ficar mais que um minuto sem subir para respirar", disse Cairo.
Pescar de vara não atrai muito Cairo Rodrigues. Ele gosta da emoção da pesca com arpão. "É muito mais prazeroso. Tem a emoção da tocaia. De ficar esperando o peixe por vários minutos e muitas vezes parado. Quando o peixe aparece, aí é só apontar o arpão e disparar. Dificilmente eu erro a pontaria", disse o pescador.
Guilherme completou seu pensamento: "É um hobby mesmo. É emocionante estar dentro d`água. Naquele momento esqueço de todos os problemas". Os amigos mergulham entre oito e dez metros de profundidade.
Rodrigues não pensa apenas em pescar, também se diz preocupado com os peixes. Ele tem o costume de montar galhadas para jogar dentro da represa. "É como se fosse um ninho. Uma vez por semana trato dos peixes neste local para que eles possam ir se acostumando".
Para pescar com arpão, é preciso ter licença do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais). "Não sei quantas pessoas na região praticam a pesca com arpão, mas conheço umas 12".
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TÉCNICA
Mas não basta querer para entrar na água. Os pescadores ficam de olho na represa. Se tiver muito vento nem adianta entrar. Com o vento, a água fica agitada e turva. A visibilidade fica comprometida. Nos dias em que o tempo colabora, os amigos costumam pescar tilápia e tucunaré.
O arpão, que custa em média R$ 250, é composto por um arbalete com borracha e elástico que faz com que o equipamento ganhe força para “correr” dentro d`água e atingir o peixe. O arpão pode percorrer até 2,40 metros. Com o impacto, na maioria das vezes atravessa o peixe. O arpão é parecido com uma espingarda. Quando está diante do peixe, o pescador atira a lança que está presa por uma corda. Com a pressão, a lança atravessa a presa.
Como todo bom pescador, Cairo Rodrigues ensina que é preciso acertar o peixe no lugar certo para imobilizá-lo. "Bem no meio tem uma linha prateada chamada apagador que o imobiliza na hora. Se acertar na cabeça também acontece isso. Agora se acertar na barriga é perigoso o peixe escapar. Pode até não sobreviver, mas antes ele foge".
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