Malabaristas da miséria


| Tempo de leitura: 4 min
Como doem vinte ou trinta segundos parados nos semáforos em Franca. O sinal vermelho é a vida de muitos meninos, como aqueles que vi num cruzamento no Bairro Estação. Franzinos, sem camisas, descalços, shorts largos e rasgados, qual palhaços, mas não provocam risos. Naquele picadeiro sem lona macaqueavam seu número sem graça. Um dos meninos tinha nas mãos dois toquinhos de madeira e algo como um cabo de vassoura, caprichosamente emborrachado. Parou solenemente junto ao sinal de trânsito quando o sinal se fechou. Destemido, avançou e se postou diante das agressivas filas de carros. Sem demora, fez uma breve reverência e iniciou seu número, mantendo o cabo de vassoura emborrachado no ar com os dois toquinhos de madeira. Fez o cabo emborrachado girar, jogando-o para cima e aparando-o novamente com destreza. De repente, o cabo emborrachado caiu. Imperturbável, ele o apanhou e recomeçou o show. Fez novas evoluções e, para o grande final, atirou o emborrachado bem alto, apanhando-o com uma das mãos. Vitorioso, curvou-se solenemente para os carros, tirou o boné e começou a andar por entre as filas, recolhendo uma moeda aqui e outra, acolá. Antes que o sinal abrisse, retornou rapidamente para a calçada e ficou aguardando que ele se fechasse para reiniciar o espetáculo. Existe coisa mais triste do que crianças fazendo malabarismo, sob sol escaldante, para matar a fome? Nesses tempos em que a miséria e a violência reinam no país da má educação, a hipocrisia pede passagem para atuar. É negligência acreditar que a vida dos meninos malabaristas, por exemplo, é problema do Estado, responsabilidade do governo, ou apenas resultado de políticas equivocadas. Ledo engano. Somos todos responsáveis. O olhar de repúdio, o pensamento preconceituoso, o egoísmo e a desconfiança nos levam a este quadro de tragédia, abandono e desesperança. Educação é a palavra-chave, é o primeiro passo para transformar a sociedade. Educação, tal como nos lembra o dicionário, significa aplicação de métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano. Esse deve ser o nosso único clamor! Negros e brancos, pobres e ricos numa só voz. Enquanto isso, o respeitável público, trafegando em seus carros, assiste a tudo impassível, quase como se o espetáculo não lhe dissesse respeito. Ou então tenta não ver, faz de conta que não percebe, e culpa o artista pelo ingresso. Por vezes, distribui alguns trocados, sem perceber que assim poderá estar ajudando a mantê-los ali, no palco dos semáforos. O circo está armado, diferente de outros circos. Nele falta até o pão, mas sobram crianças. Resta saber por quanto tempo mais ficará em cartaz este triste espetáculo da vida. INVESTIR EM EDUCAÇÃO A prioridade dos novos prefeitos bem poderia ser, em primeiro lugar, educação; em segundo, educação; e, em terceiro, educação. Pensassem assim, não seríamos campeões em analfabetismo. Assegurar o acesso de todos à educação é ideal do País. A educação é o primeiro e o mais rentável dos investimentos públicos. O Brasil começa na criança, no estudante, no universitário. É tarefa em que os Estados e Municípios têm de repartir responsabilidades, sem o que a eleição de todos terá sido em vão. CONFIDÊNCIAS Conhecido médico de Franca confidenciou no Café Globo, do Élcio, na Praça Barão, que, quando jovem, numa prova oral na Faculdade de Medicina de Taubaté, onde estudava, o professor mostrou a ele um fêmur e lhe perguntou: ‘conhece esse osso’? Distraído, inclinou-se cerimoniosamente, apertou o osso e disse: ‘Muito prazer em conhecê-lo’. NEGATIVO É impressionante, em Franca, a quantidade de mangueiras lavando calçadas, garagens, quintais e carros... Algumas pessoas até deixam a água jorrando enquanto vão pegar alguma coisa ou atender um telefonema, descarada demonstração de que não dão nenhuma importância ao bem comum, ao meio ambiente, nem às futuras gerações. Penso que nenhuma calçada pode valer mais do que vidas humanas. Certamente uma vassoura resolveria o problema. POSITIVO Uma surpresa agradável ao abrir as páginas deste Comércio na última terça-feira e encontrar a notícia de que a medalha de bronze da Olimpíada Brasileira de Física foi entregue a um estudante de Franca, Leonardo Souza Lemos, aluno do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual “Dr. João Marciano de Almeida”. Fiquei emocionado e explico a razão. O Léo é meu sobrinho, irmão mais novo da linda Patrícia, a Patty, e filho da minha irmã, Maria Lúcia de Souza Lemos e de Joel Veloso Lemos. Um belo rapaz, 1,85 metro de altura, 16 anos, religioso e com um Q.I. acima da média. Léo foi selecionado entre 2,5 mil alunos de escolas públicas do Estado de São Paulo e a premiação aconteceu no campus da USP de São Carlos. Essa Olimpíada de Física é promovida anualmente pela Sociedade Brasileira de Física. Parabéns, Léo, estamos orgulhosos por você! INOCÊNCIA Um garoto com aproximadamente 6 anos que viajava de ônibus com seu tio para São Paulo, sem muita paciência para uma viagem de cinco horas, vai até o banheiro do veículo e na volta pergunta: - Tio, o que a mulher tem no meio das pernas? O tio, meio sem jeito, pensa alguns segundos e responde: - O joelho! O inocente garoto se levanta, vai até duas fileiras de poltronas atrás da que estava sentado, olha para o meio das pernas da moça que ali se encontrava e grita: - Tio! O senhor errou... O que ela tem no meio das pernas é um rádio! Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários