A falta de regularidade no trabalho prestado pelos voluntários tem obrigado algumas ONGs (Organizações Não-Governamentais) de Franca a reduzir o atendimento à população. A despeito da boa vontade em ajudar, muitas pessoas, alegando falta de tempo, abandonam as entidades após algumas semanas de atuação.
Em outros casos, elas permanecem como voluntárias, mas não cumprem horários e se ausentam das reuniões. "Há quem pense que, por não receber salário, pode participar quando e como quiser. Não é assim. Isso acaba prejudicando", disse Vander Cintra, coordenador de comunicação do CVV (Centro de Valorização da Vida). Por causa deste problema, em apenas duas das principais ONGs da cidade, 500 crianças e adultos deixam de ser atendidos.
Há 27 anos oferecendo apoio emocional por telefone a pessoas que precisam desabafar, o CVV de Franca conta hoje com 40 voluntários. O número não é suficiente para atender às cerca de 500 ligações recebidas mensalmente. Para suprir a demanda, a entidade calcula que seriam necessários, no mínimo, mais 20 colaboradores. "Em muitos horários, temos apenas uma pessoa de plantão. Com isso, algumas chamadas ficam sem resposta", disse Vander. Segundo ele, se todas as vagas fossem preenchidas, as ligações atendidas poderiam chegar a 800.
O Grupo Educacional Veredas, que oferece cursos gratuitos para cerca de 180 moradores do Recanto Elimar II, enfrenta a mesma dificuldade. A ONG tem 18 voluntários fixos, mas precisa de, pelo menos, 40 para operar com a capacidade total, que é de 400 atendimentos por mês. "A rotatividade é muito grande. Temos que ir administrando esta situação. Muita gente quer ajudar, mas poucos ficam e concluem o trabalho", disse Monique Fernandes, uma das coordenadoras.
Por isso, não raramente aulas acabam suspensas de uma hora para outra. "Temos que pedir que os alunos parem de vir porque não tem mais professor. Isso é muito chato", disse a coordenadora. Para evitar situações como esta, ela aconselha que, antes de começar alguma atividade voluntária, o interessado avalie se realmente terá condições de assumir um compromisso com a entidade. "A população conta com a gente. O trabalho tem que ser bem feito e com empenho".
SEM TEMPO
A vida agitada que as pessoas levam hoje em dia é um dos fatores que têm contribuído para o enfraquecimento do voluntariado, problema que se agravou com a inserção das mulheres no mercado de trabalho. O coordenador do CVV acredita que a sinceridade é o melhor caminho para evitar transtornos no futuro. "Desde o começo, o voluntário precisa deixar claros seus limites. Se não corresponder às expectativas da entidade, é melhor não insistir", disse Vander.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.