Maria Luiza Pinheiro Camargo foi voluntária do CVV e determinante na construção de Igreja


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Morreu no sábado, primeiro de novembro, Maria Luiza Pinheiro Camargo, vitimada por parada cardiorrespiratória gerada por falência múltipla de órgãos determinada por câncer. A doença foi descoberta há um ano e, após sucessivas sessões de quimioterapia no Hospital do Câncer de Franca, foi possível determinar regressão da doença, o que devolveu à paciente expectativa de cura total. Infelizmente, seis meses após, houve recidiva intensa. O tratamento prescrito conjugou quimio e radioterapia tornando-a debilitada “mas não sem fé”, como disse sua filha Gracielle ao Comércio. “Mamãe era uma mulher determinada, guerreira e jamais se deixou abater pelas dificuldades. Era bonita, continuou bonita durante o período da doença mas nunca foi vaidosa. Ia à clínica de estética de Vone Amorim mais para estar em contato com quem gostava do que para se embelezar, e nós a estimulávamos. Seu riso aberto e franco confirmava que estava feliz”. Foi filha de Aymoré de Oliveira Pinheiro e Maria Aparecida Duarte e teve uma irmã, Maria Sônia, que agora a família quer trazer para Franca e “adotar” como “segunda mãe”. Esteve casada por 42 anos com Francisco Souza Camargo (o “Chico Camargo’, funcionário de carreira do Ceagesp, que implantou o Ceasa em Franca). O casal teve 5 filhos, Luís Alexandre (casado com Ana Cláudia), Danielle, Caroline (casada com Saulo Rodrigo Engrácia), Rodrigo (casado com Samara) e Gracielle.Uma afilhada da filha Caroline, Laura Gianna, a chamava de “vovó” e ela adorava. Luiza era natural de Bauru. Casou-se lá com Chico e o acompanhou a São Paulo, onde moraram por muitos anos. Fixaram residência em Franca quando aqui chegou para implantar o Ceasa. Ela, professora formada, se tornou funcionária da Vigilância Sanitária local, onde trabalhou até se aposentar por idade. O casal se tornou “francano” por mérito. Foi determinante na história da construção da Igreja do Menino Jesus de Praga, no Jardim Pedreiras. Participou da vida religiosa do templo por muitos anos. Luiza integrou também a primeira turma de plantonistas do CVV - Centro de Valorização da Vida. Luiz Neto, fundador do grupo em 1981, conta: “quando realizamos o primeiro chamado a interessados em se dedicarem ao atendimento de pessoas com problemas, Luiza disse presente. Não se furtou às menores tarefas. Tinha perfil motivador. Nas reuniões iniciais, indispensáveis para a motivação dos primeiros plantões, lá estava ela, produzindo papelinhos com mensagens estimulantes, conversando individualmente com os que mostravam esmorecimento. O CVV deve muito a Luiza”. E prosseguiu: “apesar de enfrentar os piores momentos de sua doença, conversando com Lourdinha Lima – esteticista do local que freqüentava e que foi também plantonista da primeira turma – disse que queria reunir os integrantes do primeiro grupo do CVV para um jantar e algumas homenagens. Só soube disse no domingo, dia de seu velório. Uma pena que não tenha conseguido atingir seu intento mas, quem sabe, deixa um convite à idéia. Luiza foi inesquecível até o fim”. Freqüentava o movimento “Cenáculo”. Há uns dez dias, segundo contou a filha Gracielle, “queria ir comigo mas não conseguiu por causa do agravamento da doença. Eu fui, por insistência dela. Durante a reunião, aproximou-se de mim Padre Paulo Tavares de Brito e me disse que queria visitar minha mãe. Levei-o até minha casa. Lá, ele disse a ela que ‘sentiu, em mim, a fé da mulher guerreira que ela era; que sabia que ela queria ir até Deus mas que Deus havia decidido diferente, que queria ir até ela’. Naquele dia minha mãe comungou pela última vez”. Ainda segundo a filha, “estão todos os filhos bem encaminhados na vida por causa da determinação de sua mãe”. Dizia a eles e aos familiares que “sempre faria tudo o que pudesse para vê-los bem, principalmente quanto à Educação”. Conseguiu. O sentido de família unida que se pôde observar durante o velório deixou isso explícito. O corpo foi velado no São Vicente de Paulo e o sepultamento ocorreu no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras, no domingo, dia 2.

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