Depois de superar sustos e viver meses no hospital, muitos pais de crianças que nascem com sérios problemas de saúde ou os desenvolvem posteriormente têm de enfrentar inúmeros desafios quando finalmente realizam o sonho de ter os filhos em casa. Em Franca e região, eles contam com serviço diferenciado para o momento após a alta médica.
O Acar (Ambulatório de Crianças de Alto Risco) está em atividade há dez anos e hoje atende 400 crianças que nasceram prematuras, possuem patologias graves no coração, rins, parte neurológica ou são portadoras de síndromes genéticas complexas. Os pacientes recebem atendimento de médicas, neurologista, psicóloga, fonoaudióloga, fisioterapeuta e enfermeiros; têm direito a vacinas especiais, contra meningite e pneumonia, por exemplo, além de ganharem medicamentos, dietas e materiais, como sondas e frascos para alimentação.
A pequena Isabela de Paula Salmazo é uma das crianças acompanhadas pela equipe. A nenê nasceu no tempo certo, pesando mais de três quilos. Parecia estar tudo bem, mas duas horas depois do nascimento, foi levada às pressas para a UTI por não conseguir respirar. Isabela sofre de estreitamento da laringe, o que causa falta de ar gravíssima. Mesmo tão pequena, já sofreu duas paradas respiratórias. Aos 45 dias de vida, precisou fazer traqueostomia para desobstruir a traquéia. A medida é paliativa. Dependendo da evolução, fará nova cirurgia para alargar a laringe.
Recuperada da operação, a bebê vive em casa com os pais e o casal de irmãos. "A médica chegou a nos chamar e pedir para rezarmos, pois ela podia não resistir", disse a mãe, a professora Melissa Salmazo, 35. Para ela, o ambulatório desempenha um trabalho excelente. "Aqui minha filha recebe as vacinas, tem acompanhamento com fonoaudióloga e médica. Tem tudo. É como num convênio particular".
A dona de casa Regina Fradique, 36, é outra mãe que depende da assistência do Acar. Sua última gravidez foi complicada. Ela teve sangramentos, apendicite e demorou a ser diagnosticada. Seu sétimo filho, Kairo Víctor, (7 meses), nasceu prematuro, no quinto mês de gravidez. Ele correu risco de morrer. Teve meningite e complicações. Aos três meses, fez cirurgia para controlar refluxo. Um mês depois, teve de operar para colocar uma válvula na cabeça e evitar hidrocefalia. Agora, precisa de acompanhamento de especialistas. "Acho que para todas as mães que têm filhos especiais, o serviço é ótimo. Elas ensinam muita coisa", disse Regina.
O Acar funciona em prédio anexo à UBS da Estação, construído pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Por dia, passam entre 20 e 25 pacientes pelo local. A médica Rita Fontes, uma das idealizadoras do projeto, disse que o ambulatório foi criado para acompanhar casos de bebês prematuros extremos. "Na UTI, percebíamos que, quando os bebês tinham alta, as mães ficavam perdidas pelas necessidades com os problemas digestivos, neurológicos ou pulmonares.
Muitas vezes, elas procuravam os médicos mais próximos de sua casa, que também ficavam perdidos porque não sabiam realmente o que tinha acontecido com a criança. Vimos a necessidade de acompanhar os casos". Rita acredita que os pais encontram no Acar um porto seguro. "Eu me sinto gratificada. Eu sinto que a gente faz alguma coisa de verdade. É um bem para a população".
A dona de casa Luciene Gomes, 32, se sente mais segura com as orientações dos profissionais do Acar. "Ficava muito insegura para cuidar do meu filho. Aqui, fico mais confiante, porque as médicas conhecem a história dele", disse ela, que é mãe de Eduardo, de 1 ano e dois meses. O bebê nasceu no sexto mês de gestação por ela ter problemas de pressão. O Acar atende também a região. Eliana, mãe de Ronaldo, 4 meses, teve seu bebê prematuro e ele precisa de acompanhamento próximo. Ela é de Ituverava e viaja sempre a Franca onde encontra o atendimento adequado.
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TRIAGEM
Para ser atendido no Acar, é preciso ter encaminhamento de médicos da rede pública ou particular. A criança precisa se encaixar nos critérios do ambulatório. São atendidos prematuros que nasceram com menos de 1,5 quilo; abaixo de 2 quilos que ficaram na ventilação mecânica ou tiveram algum agravo, como meningite; e vítimas de síndromes; problemas renais; cardíacos e os que usam traqueostomia e gastrostomia. O Acar é mantido pela Secretaria Municipal de Saúde de Franca. Alguns programas são feitos em parceria com o governo estadual. O espaço também conta com outras parceiras, como a Unifran e a Apae.
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