Pelé, Coutinho, Pepe, Clodoaldo, Diego, Robinho. Todos estes jogadores fizeram história no futebol nacional e mundial. Mas antes de desfilarem em gramados de competições importantes, como a Copa do Mundo, foram crianças, adolescentes e trilharam a escola de base de um grande clube do Brasil. A coincidência na carreira de todos estes astros do futebol é que passaram por uma escola muito conhecida em São Paulo: a do Santos Futebol Clube. A magia do futebol é tanta que até hoje Pelé, conhecido no mundo como o “Rei do Futebol”, atrai garotos ao clube da Baixada Santista.
Cerca de 150 adolescentes atualmente buscam repetir o exemplo dado por Robinho, última grande estrela a desfilar com o uniforme branco do Peixe. O francano Vinícius Aparecido de Sousa Cândido está neste grupo e há dois anos a camisa do Santos embala seu sonho de se tornar profissional.
Conhecido no time como Nescau, o aspirante a jogador profissional só tem 13 anos, é atacante e já convive com uma realidade que muitos garotos não agüentariam. Seu dia tem cerca de 17 horas.
Quando mudou-se para Santos tinha marcado 20 gols na Copa Difusora, torneio para escolinhas de futebol de Franca. Com destino traçado, ele passou em um teste e resolveu dar uma guinada na vida. Como resultado da oportunidade, toda sua família se mudou para a Baixada Santista. O pai, o sapateiro Eurípedes Aparecido Cândido, 45, e a mãe, Edite Custódio de Sousa Campos, 49, deixaram para trás o que tinham em Franca e foram com a “cara e a coragem” para a nova cidade e atrás do sonho do menino. A sorte é que tiveram o apoio de parentes que moram em Santos, o que diminuiu o impacto. A partir daí, tudo foi novo na vida do garoto.
No Santos, Vinícius não percebeu rapidamente que não é o único a mudar radicalmente sua rotina para tentar uma das carreiras mais concorridas do mercado de trabalho e também uma das mais rentáveis, a depender de seu desempenho. A Vila Belmiro abriga outros garotos vindos de longe, como o colega do jovem atacante francano, Victor Andrade. Ele saiu de Aracaju (SE), quase 2.200 quilômetros de distância, para jogar no Peixe. Ambos estiveram em Franca, no dia 12 de outubro, quando o Santos venceu por 3 a 0 - a Francana em uma partida do Campeonato Paulista da categoria, o Sub-13.
Vinícius, que ainda tem parentes na cidade residindo no bairro Cidade Nova, sentiu o gostinho de ser famoso. Mesmo em regime de concentração, ele teve de posar para fotos com primos, tios e colegas ao final da partida. “Estou reencontrando a família”, comentou ele.
Em meio á alegria, ele revelou ao Comércio da Franca o que mais gosta depois da revolução que enfrentou passar para conseguir ser um jogador de futebol. “O que gostei muito é de agora morar perto da praia. Ver o mar sempre”. As viagens também são motivo de euforia. “Conheci um monte de cidade que nunca tinha ido. Fiquei em hotéis e isso é bem legal”, afirmou. Somente neste ano, o time de Vinícius viajou para oito cidades diferentes - Mauá, Assis, São Paulo, São Vicente e São Bernardo, por exemplo - durante a disputa do Campeonato Paulista.
Mas o dia-a-dia, a rotina não deixa de ser árdua. “Eu tenho que acordar 5h30, ir para a escola e só volto para casa às 11 horas da noite”, contou Vinícius. Se tiver nota baixa, sofre cobranças do próprio clube. Com tudo isso, a pergunta que fica é "Será que ter de madrugar quase todo dia e não ter descanso além da segunda-feira não dá vontade de desanimar?". O atacante revela que sim. “O que minha mãe sempre me fala quando vou dormir é para não desistir. Tenho que lutar muito ainda para ser um jogador profissional”, finalizou.
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