Morreu Jair Barbosa, personagem da história da fotografia francana


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Jair fotógrafo morreu aos 86 anos. Foi sepultado ontem, no Santo Agostinho
Jair fotógrafo morreu aos 86 anos. Foi sepultado ontem, no Santo Agostinho
Morreu às primeiras hora da madrugada da segunda-feira, dia 3 de novembro, Jair Barbosa, um dos mais conhecidos personagens da história da fotografia francana. Esteve internado no Hospital Allan Kardec por 20 dias, até sua morte, recebendo cuidados médicos para Alzheimer, diabetes e pressão. A instituição, ao ser solicitada pela irmã Jandira Barbosa – com quem Jair morou nos últimos dois anos –, deliberou auxiliar o paciente, sem ônus. Sua irmã falou ao Comércio muito emocionada, sobre o que considera a última homenagem ao fotógrafo que flagrou alguns dos mais importantes momentos da história da cidade e da região por décadas seqüentes: “tínhamos a necessidade de alimentá-lo por sonda pois estava muito debilitado. Um certo dia liguei ao Vanderlei Cintra Ferreira, presidente do Allan Kardec e pedi a possibilidade de um enfermeiro, para nos ajudar. Ele fez diferente: mandou buscar Jair. Não há como agradecer o que por ele fizeram. Cuidaram, inclusive, do velório e sepultamento”. Jair teve um casamento conturbado, de mais de 40 anos com Geni Barbosa. Separaram-se, ocasião em que ela e a filha Marta passaram a residir em Ribeirão Preto. Geni morreu há cinco anos. Jair e Marta voltaram a se ver só recentemente. O outro filho do casal é Jair Filho, casado com Joana. Foi irmão de Jaime Barbosa (que ensinou fotografia a todos os da família), Jarbas (foi cantor na noite francana), Joster, João, Jacira e Jandira. Teve netos (Michelle, casada com Alex Silva; Ubiratã, Luã, Menjes, Marcelo, Maria Aparecida e Mateus) e bisnetos (Amanda e Ingrid). Não há, a rigor, francanos com mais de 20 anos que não conheçam ou tenham ouvido falar de Jair Fotógrafo. Ele começou sua vida profissional na Praça Nossa Senhora da Conceição na primeira metade do século passado. Sua câmara, estilo “lambe-lambe” (uma grande caixa onde o fotógrafo colocava a cabeça dentro) sustentada por um tripé, fazia parte do cenário. À noite, guardava o equipamento no antigo coreto da praça. “Todo mundo sabia que estava ali, mas ninguém tirava nada”, disse Jandira. Foi figura carimbada dos principais eventos sociais, religiosos e cívicos da cidade. Em determinado momento, abriu escritório em corredor ao lado da Caixa Econômica Federal, Rua Marechal Deodoro, e ficou lá até o fim dos anos 80, quando transferiu tudo para sua casa, na Floriano Peixoto. São muito lembradas as fotos que Jair colocava em vitrines, no corredor, após os grandes bailes de carnaval ou eventos sociais. Para lá acorriam aqueles em idade de namoro para ver se Jair os tinha fotografado. Encontrada a foto, era hora de negociar com ele e tirar a foto da vitrine. Há até casos de namoros – e até casamentos – rompidos após os flagrantes fotográficos de Jair nas festas do dia anterior. Dizia-se, à época, que “era preciso chegar muito cedo à exposição e tirar as fotos complicadas da vitrine”. Dedicou-se à profissão até pouco tempo. O local onde mais gostava de fotografar era a AEC/Castelinho. Esteve em praticamente todos os eventos lá realizados. Ultimamente, andava muito devagar, quase se arrastando, mas fazia questão de ir. Um dos presentes a seu velório, músico da noite, contou à reportagem do Comércio que, “no show de Zeca Pagodinho nas piscinas do Castelinho, realizado pelo jornal”, Jair entrou na sede do clube com seus passinhos miúdos. “Um seu amigo, ao passar por ele, o tomou no colo e auxiliou a que chegava mais rápido a seu objetivo. Não havia, realmente, quem não gostasse dele”. A filha Marta se lembrou que o pai foi também, fotógrafo da polícia e da Casa de Saúde Allan Kardec. Era quase impossível advinhar a idade de Jair. Conheciam-se fotos muito antigas feitas por ele e não era raro a afirmação de que Jair era eterno e que não morreria, mas ele se foi. Seu corpo foi velado no Cemitério Santo Agostinho onde também recebeu sepultamento às 17 horas de ontem, segunda-feira, dia 3 de novembro.

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