O adolescente DECS, 15, morreu no sábado pela manhã na Santa Casa de Franca. Ele estava internado desde quinta-feira depois de ter sido espancado dentro da Cadeia do Jardim Guanabara. A morte cerebral havia sido anunciada na sexta. O menor era um dos autores do assassinato do sapateiro Leandro Braz Domingos, 19.
A morte de DECS remete ao submundo do tráfico, onde existe lei própria e os que não a cumprem pagam com a vida. A violenta trama começou no dia 21 de outubro, quando o corpo de Leandro foi encontrado num matagal do Jardim Palmeiras. Ele havia sido cruelmente assassinado. Levou cinco facadas, teve o pescoço cortado e o maxilar quebrado, além de ser parcialmente queimado.
No dia seguinte, a polícia prendeu DECS e um adolescente de 17 anos. Eles confessaram o crime e alegaram que haviam sido agredidos e ameaçados pela vítima anteriormente.
Durante depoimento prestado no dia 28, os menores mudaram a versão e disseram que mataram Leandro a mando do traficante AD, 19. O suposto mandante teve a prisão temporária decretada pela Justiça e foi para a cadeia no mesmo dia.
Dois dias depois, DECS foi violentamente espancado na cela especial que ocupava com seu ex-comparsa e um outro menor. Levou uma série de chutes e socos por todo o corpo, principalmente nas costelas e na cabeça. Foi socorrido e levado em estado grave para a Santa Casa. Não resistiu.
O comparsa de DECS assumiu sozinho a autoria do espancamento. “No dia da reconstituição, ele tinha falado que eu acertei o ‘cara’, sendo que eu falei que não. Eu falei que ele estava se passando como “cagüeta” (sic). Nós fomos desenrolando as idéias (sic) e ele me acertou um chute. Foi nisso que saiu a briga”.
Para o delegado Márcio Murari, são fortes as evidências de que o traficante que teria mandado matar Leandro também ordenou a morte do menor que o delatou. O corpo de DECS foi sepultado no sábado à tarde, no Cemitério de Santo Antônio da Alegria (SP), com trabalhos da Funerária São Francisco.
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