Conforme antiga tradição da Igreja hoje celebramos, de modo especial, os nossos mortos. O Dia de Finados nos faz pensar sobre o dom da vida, a morte, o céu e o amor de Deus.
Na celebração eucarística, damos graças ao Pai porque experimentamos em nossa realidade esse mistério da vida que passa pela morte e podemos viver em comunhão com tantas pessoas queridas que vivem agora a plenitude da vida partilhada conosco, precedendo-nos no caminho da fé.
Sempre costumamos dizer: desde o primeiro dia da nossa vida estamos a caminho para a morte. Sim. A morte pertence à vida. Diariamente morrem muitos milhares por doença, velhice, desastre, guerra, fome, violência, etc.
Cada um tem plena certeza de que deve morrer, mas não sabe onde, quando e como será o fim da sua peregrinação terrestre. A morte sempre está perto, mas ao mesmo tempo longe, porque trabalhamos e planejamos como se ela não existisse.
Nós cremos que o nosso Deus e Pai é Deus dos vivos e não dos mortos. Cremos que Cristo venceu o poder da morte e por isso não precisamos temê-la. O amor de Deus é mais forte do que a morte. A morte é para nós a porta da eternidade. Santa Terezinha de Lisieux dizia: não é a morte que me chama, mas é o Deus do amor. Entre tantas perguntas que surgem em torno da morte, sempre pensamos: o que se segue?
Quando uma pessoa morre, ela parte deste mundo e entra na eternidade. Nesta viagem ninguém o poderá acompanhar e nada poderemos saber a seu respeito. Cada um se apresenta ao juízo divino pessoal e individualmente. Por aqueles que morrem, rezamos confiantemente que Deus lhes seja propício e misericordioso. Nós temos a promessa: todos que seguirem o Cristo na vida estarão com o Pai na eternidade.
A segunda carta aos Tessalonicenses no capítulo 1, versículo 9 diz: “os que pela sua vida e sua livre escolha se excluem a si mesmos da vida com Deus e da comunhão dos Santos: para eles existe só a morte eterna, longe da face do Senhor e da sua glória”.
O que podemos fazer pelos nossos mortos? Podemos rezar com muita confiança que Deus santifique e purifique suas almas, conduzindo-os para a glória da vida eterna. É um dever de gratidão e de amor para cada cristão rezar pelos seus parentes e amigos defuntos.
Sempre ouvimos dizer que os homens e a Igreja estão a caminho para a casa do Pai. É verdade? Sim. A Igreja, o povo peregrino de Deus, só verá a sua plena consumação no fim dos séculos, quando Cristo, nossa vida, aparecerá em majestade e glória a fim de conduzir os eleitos para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Durante a nossa passagem por este mundo podemos fazer descobertas maravilhosas, progressos fantásticos na ciência e na técnica. O mundo pode ser mais belo e mais humano. Continuam, porém, sofrimento, pecado, infortúnio, injustiça, calamidade e morte. Disso o homem não pode se livrar por força própria.
Mas a humanidade não perde a esperança em Deus. Cristo trouxe a Boa Nova de que todos os povos verão a salvação. Tudo será renovado nEle e por Ele. Em Cristo a história chega a seu destino definitivo. Esta é a nossa esperança na caminhada para a casa do Pai.
Também a Igreja no seu caminhar pela história tem as suas vitórias e suas derrotas, suas glórias e inglórias, suas virtudes e pecados, sente a sua fraqueza diante da grande missão que lhe foi confiada pelo seu fundador.
Mas a Igreja ficará fiel à sua missão, pois Cristo prometeu: as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Deus não preserva a sua Igreja de aflição, perturbação e perseguição, mas conserva-a na verdade.
Não estamos perdidos, nem desamparados. Neste dia de esperança, de comunhão com quem amamos e continuamos amando, mesmo sem a presença física, a Ressurreição de Jesus é uma luz cintilante para nossa fé na vida. Temos certeza de que todo o mal já foi vencido e somos aguardados por um futuro onde a morte não existirá mais. É essa também a certeza que temos quanto a nossos pais, irmãos, amigos e todos que adormeceram no Senhor.
Temos que construir o novo céu e a nova terra durante o tempo de nossa história, mas temos a confiança de que quem morreu tendo guardado a fidelidade a Jesus Cristo já pode usufruir do novo céu e da nova terra sem fim.
CÉU
Deus nos criou para o céu! Durante toda a vida buscamos conhecer e viver em Deus. Esta alegria teremos no céu, quando Deus se revelar a nós. No céu se realizará o paraíso coletivo, tão sonhado neste mundo. Então terá passado tudo o que era próprio do mundo antigo. Não haverá mais luta, sofrimento, morte. Enfim, será a paz! Não se sucederão mais os dias e os anos; todos viverão na eternidade de Deus e celebrarão a festa que o Pai preparou desde o princípio do mundo. O céu é o reino da eterna glória e felicidade.
INFERNO
Jesus fala 18 vezes sobre o inferno nos evangelhos. Como é? Cristo não o revelou. Só fala em figuras: onde haverá choro e ranger de dentes, onde o verme que rói os ossos não morre, e onde o fogo não se apaga. O inferno é ódio, desespero, é tormento. Inferno é viver fora da amizade de Deus.
PENSAMENTO
“Os olhos não viram e nem os ouvidos ouviram, nem o coração jamais imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”( 1 Cor 2, 9; 15, 42-44).
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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