Em algum momento da vida provavelmente você tenha pensado em jogar tudo para o alto e sumir. O emprego estável, a carreira universitária ou a própria família, entretanto, sempre deixam o projeto para depois e desencorajam a maioria dos que sonham em ter um período sabático. O termo é utilizado para denominar um período de afastamento destinado à reciclagem (pessoal e profissional), que pode ser de curta ou longa duração.
O que para muita gente parece loucura é explicado pelo consultor em desenvolvimento humano e governança corporativa, Herbert Steinberg, em seu livro Sabático -Um Tempo para Crescer. Para ele não há nada de insano em parar tudo e reavaliar a própria vida quando se tem um bom projeto para isso. Ao contrário, são incontáveis os benefícios, começando pelo fato de que as empresas que têm uma visão de futuro estão cada vez mais interessadas em pessoas preocupadas com a sua própria qualidade de vida.
A experiência sabática de Steinberg incluiu percorrer a pé, em cinco semanas, os 884 quilômetros que separam Saint-Jean-Pied-de-Port, na França, a Santiago de Compostela, na Espanha. Mais que refletir, o projeto resultou em dois livros.
Com menos peregrinação, mas com a mesma coragem, a francana Paula Rodrigues pereira, 22, graduada em comércio exterior, há três meses vive algo totalmente novo em sua vida. Trocou o calçadão do Centro de Franca pela Times Square; o Parque “Fernando Costa” pelo Central Park; as paisagens locais pelas de Manhattan. Trocou também de emprego, de hábitos e, ainda que provisoriamente, até de família. Ela decidiu dar um tempo do Brasil e, em agosto, seguiu para a cidade de Glastonbury, no Estado de Connecticut, nos Estados Unidos, para passar, inicialmente, um período sabático de um ano.
Por aqui trabalhava em um escritório de exportação, setor que, segundo ela, é o que prefere em sua profissão. Atualmente, no lugar de documentos, notas fiscais, telefone e computador, sua rotina inclui livros, estudos, compras e também fraldas, mamadeiras e chupetas. Ela viajou como au pair, um programa de trabalho remunerado em que a pessoa passa a fazer parte de uma família, cuidando de crianças e estudando. “Eu escolhi o programa de au pair porque é o mais fácil e mais barato. Trabalho 45 horas semanais cuidando das crianças.
Com isso eu recebo um salário fixo semanal (de US$ 176) e não tenho gastos com comida e moradia. A família me disponibilizou ainda um carro, que uso para o transporte das crianças e para o meu uso pessoal, quando eu quiser. Tenho também uma bolsa de estudos de US$ 500”, afirmou Paula, que divide a casa com seis pessoas, entre elas, quatro crianças.
Os motivos que levara Paula a se jogar no período sabático incluem mais de uma ambição. “Resolvi viajar para poder conhecer uma nova cultura e aprimorar o meu inglês, que na profissão que escolhi é fundamental. Também pela oportunidade de conhecer outro país, outras pessoas, lugares bonitos como a Times Square e a Estátua da Liberdade”, disse Paula, que investiu aproximadamente R$ 3 mil no projeto e só volta para o Brasil em agosto de 2009.
Ao regressar, ela tentará voltar para o antigo emprego. “Difícil dizer se eu vou recuperá-lo. Seria ótimo, pois foi um lugar que eu gostei muito de trabalhar”, disse Paula.
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