Juros altos e maior rigidez derrubam vendas de carros


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GARAGEM LOTADA - Habituado a vender até 22 carros por mês, o comerciante Carlos José de Oliveira vendeu apenas quatro unidades em outubro
GARAGEM LOTADA - Habituado a vender até 22 carros por mês, o comerciante Carlos José de Oliveira vendeu apenas quatro unidades em outubro
A crise financeira que eclodiu recentemente nos Estados Unidos e se alastrou pelo mundo já provoca prejuízos em Franca. O aumento nas taxas de juros e o maior rigor na concessão de crédito por parte das financeiras derrubaram as vendas de veículos seminovos na cidade. Em seis estacionamentos consultados pelo Comércio, o volume de negócios caiu pela metade. Em alguns casos, a redução chega a 80%. A crise atingiu em cheio as vendas do comerciante Carlos José de Oliveira, que possui um estacionamento na Avenida Doutor Hélio Palermo. Antes da explosão dos juros, ele costumava vender 22 carros por mês. Em outubro, foram apenas quatro. "Além de aumentar as taxas de juros, as financeiras estão mais rígidas para aprovar os cadastros dos compradores. Antes da crise, clientes com pequenas dívidas tinham o empréstimo aprovado sem maiores problemas, mas agora quem tem qualquer restrição, por menor que seja, não consegue a aprovação para fechar o negócio". Antes dos seguidos aumentos nas taxas de juros, as parcelas de um automóvel avaliado em R$ 25 mil e financiado em 60 meses tinham valor aproximado de R$ 668. Hoje, a mensalidade do mesmo carro não sai por menos de R$ 717. O preço final do veículo, que antes era de R$ 40.080, com a alta dos juros, chegou a R$ 43.020, ou seja, aumento de 7,34% em apenas 30 dias. "No mês passado, as financeiras chegaram a enviar três tabelas de juros na mesma semana, com seguidos aumentos. Isso complicou a nossa vida", disse Fabian Constantino, gerente de uma garagem especializada em vender camionetes, que também amarga a queda nas vendas. "Antes vendíamos até 25 unidades, mas no último mês foram apenas 12". O economista Hélio Braga Filho disse que as dificuldades enfrentadas pelos bancos para conseguir levantar dinheiro para financiar o crédito de veículos, aliada ao temor de recessão na economia mundial, fez com que as empresas tornassem mais rígidas as regras para concessão de financiamentos. "As projeções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) indicam que, caso a crise persista, mais de 20 milhões de pessoas podem perder seus empregos no mundo todo, o que geraria inadimplência. Com medo, as instituições financeiras aumentaram as exigências". Braga aconselhou os consumidores a evitar contrair dívidas a médio e longo prazo. "O ideal é pagar tudo à vista e garantir uma liquidez, até porque os juros estão em um patamar muito alto".

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