A Santa Casa de Franca anunciou ontem a morte cerebral do menor DECS, 15, um dos autores do homicídio do sapateiro Leandro Braz Domingos, 19. Como o quadro é clinicamente irreversível, o hospital aguarda a paralisação das funções cardíacas do menor para anunciar oficialmente o óbito.
DECS foi hospitalizado, em estado grave, depois de ser espancado pelo comparsa no assassinato de Leandro, um adolescente de 17 anos, durante o almoço da última quinta-feira, na Cadeia do Jardim Guanabara, onde os dois e mais um menor estavam recolhidos em uma cela especial, separados dos demais detentos. O garoto sofreu trauma de crânio e teve costelas quebradas.
A briga se deu, segundo o próprio agressor, por causa de uma discussão referente a detalhes que DECS teria dado à polícia durante a reconstituição, na terça-feira, da morte de Leandro.
Após se desentenderem, o menor de 17 anos teria partido para cima de DECS, desferindo chutes e socos. “No dia da reconstituição, ele tinha falado que eu acertei o ‘cara’, sendo que eu falei que não. Foi ele que deu os primeiros golpes. A desavença já tinha começado lá”, disse o menor.
Além disso, ele teria chamado DECS de “cagüeta”, por ele ter entregado o traficante como mandante do crime, preso no dia da reconstituição e dois dias antes da briga entre os menores. DECS foi encaminhado para a Santa Casa, onde chegou em coma profundo.
A morte de DECS complica a situação de seu ex-comparsa, que com 17 anos vai responder pela morte de duas pessoas. Ontem mesmo ele foi transferido para a Fundação Casa.
A participação do terceiro menor que estava na cela também será investigada. Apesar do comparsa de DECS ter dito que agiu sozinho e que o outro “não ajudou nem atrapalhou”, a polícia acredita que ele ajudou a agredir o garoto.
Os motivos são o fato de ele estar bastante suado quando os carcereiros foram separar a briga. Além disso, os fe-rimentos de DECS, para a polícia, não foram feitos por apenas uma pessoa.
Para o delegado Márcio Murari, o menor infrator pode ter “forçado” a ida para o Guanabara com a missão de ajudar o outro adolescente a matar DECS.
SEM DOAÇÃO
Com a morte cerebral, a Santa Casa havia até iniciado o processo para doação dos órgãos do adolescente, que foi suspenso pelo fato de ele ser presidiário e usuário de drogas.
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