A capital no interior


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Ao contrário do que alguns afoitos podem julgar, achei interessante a iniciativa do deputado estadual Gilson de Souza em apresentar proposta para os necessários estudos técnicos e de viabilidade para mudar a capital do Estado para o interior. Em uma primeira manifestação, é necessário alertar que toda cautela, no trato dessa questão, é bem-vinda. É tema polêmico, mexe com estruturas seculares, afeta sobremaneira a vida e a história do maior e mais rico Estado brasileiro, mas a ousadia em apresentar o tema à discussão merece ao menos o meu respeito. Esse é um dos papéis do deputado estadual: motivar debates sobre o nosso futuro e quais seriam atitudes necessárias para tornar o Estado melhor, mais eficiente e próximo ao povo. Faz-se necessária a cautela, como disse, para que não se torne tudo, folclore, marca da ocasião em que a proposta foi feita pelo então governador Paulo Maluf. A questão principal é o custo mas isso será avaliado na ocasião certa. Quero, aqui, abordar temas periféricos: o primeiro aspecto diz respeito à diminuição no fluxo migratório do interior para a capital. A estimativa populacional calculada pelo Seade para todos os municípios do Estado aponta impacto de apenas 3,9% na população da cidade de São Paulo até 2020. Mas, mesmo com essa redução no ritmo de crescimento da capital, a qualidade de vida dá sinais de permanente piora. Penso que a mudança da capital pode contribuir para que São Paulo reduza ainda mais, o ritmo do seu crescimento. Ninguém pode negar que a estrutura administrativa do Estado é um forte atrativo para a presença, necessária, das pessoas na capital. Basta, na devida proporção, comparar à Prefeitura de Franca que é hoje a maior geradora de empregos na cidade, ou seja, é a maior empresa local. Lá, então, nem se fala. O outro aspecto é a possibilidade que a mudança traria no redimensionamento do tamanho da estrutura administrativa do Governo Estadual. Aqui, para ficar bem claro, não estou propondo a discussão, inoportuna, da redução do seu papel social e da sua importância como instrumento de inclusão social. Refiro-me tão somente ao tamanho disforme da sua estrutura físico-administrativa. Para entender isso, basta imaginarmos como a administração estadual foi sendo aumentada no passar dos séculos. Cada nova época, cada novo momento político e social, demanda uma readequação da estrutura administrativa e nós sabemos que as sedes administrativas do governo paulista em nada se compara à uma Brasília, planejada e construída com critério. Assim, penso que seria uma boa oportunidade para planejar e redimensionar o tamanho da estrutura físico-administrativa que o Estado de São Paulo realmente precisa. Seria muito interessante termos uma nova capital fincada no centro do Estado, moderna e de fácil acesso para todos os paulistas. Será que não haveria redução no custeio da máquina administrativa estadual e, com isso, não sobrariam mais recursos para mais programas sociais? Bem, espero que durante o processo de análise e defesa da sua proposta, o deputado esteja bem assessorado, saiba medir as suas palavras cautelosamente para não comprometer a oportunidade de uma boa discussão e saiba, sem paixão, ouvir as opiniões, mesmo contrárias. Boa sorte. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e professor universitário

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