O adolescente de 15 anos que confessou ter matado o sapateiro Leandro Braz Domingos, 19, está internado na Santa Casa de Franca com traumatismo craniano e em coma profundo, de escala 3, o mais grave que existe. Ele está no CTI (Centro de Terapia Intensiva) e respira com a ajuda de aparelhos. A internação ocorreu ontem, após uma briga entre ele e seu comparsa no assassinato de Leandro, um outro menor de 17 anos. Os dois estavam detidos em uma cela especial da Cadeia Pública do Jardim Guanabara, onde aguardavam manifestação da Vara de Infância e Juventude. No local havia ainda um terceiro garoto.
O motivo da briga seria o assassinato do sapateiro. Mais especificamente, segundo o agressor, por causa de detalhes passados pelo garoto na reconstituição do crime e pelo fato do menor ter confessado que matou Leandro a mando de um traficante, que também está preso. “No dia da reconstituição, ele tinha falado que eu acertei o ‘cara’, sendo que eu falei que não. Foi ele que deu os primeiros golpes. A desavença já tinha começado lá”.
A briga ocorreu na hora do almoço, enquanto o adolescente de 15 anos almoçava. De acordo com o agressor, o garoto lhe desferiu um soco no queixo e ele reagiu, dando chutes na cabeça e nas costas do ex-comparsa. O terceiro menor que estava na cela, detido na quarta-feira não teria participado da confusão. “Não ajudou nem atrapalhou”, disse o rapaz.
Ele fez questão de negar que matou o sapateiro a mando de traficantes, em troca do perdão de uma dívida de R$ 500. “Não tem nada a ver com isso não. Eu trabalhava (segundo ele, “no café”), recebia uma faixa de R$ 150 a R$ 170. Eu ajudava minha mãe em casa e ainda sobrava R$ 70. Como é que eu vou dever (para) os outros assim?”.
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Assim como afirmou que a morte de Leandro não foi encomendada, negou que a surra no companheiro de cela tenha acontecido a mando do traficante denunciado pelo garoto. “Ninguém mandou nada não. Jamais. Isso foi só uma briga. Ele me agrediu. Foi lamentável, eu não queria, mas agora vou arcar com isso aí.”
Para o delegado Alan Bazalha, o terceiro adolescente que ocupava a cela também pode ter participado. “Devido à gravidade das agressões e quando da abordagem dos carcereiros, logo após o evento, este indivíduo estava muito suado. São indícios de que ele tenha participado efetivamente das agressões”.
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